A segunda noite do 2º Literarte – Festival Literário, Cultural e Artístico de Fernando de Noronha, nesta sexta-feira (5), conectou dois cartões-postais brasileiros. A escritora Monique Malcher, natural de Santarém, no Pará, participou de um debate sobre “literatura, território e identidade”, ao lado de Daniela Mesquita, moradora de Noronha desde a infância.
Jornalista com livros publicados sobre a história de Fernando de Noronha, Daniela defendeu uma literatura “de dentro para fora” do arquipélago. “Noronha sempre foi um lugar escrito pela visão de quem vem de fora. Está na hora das pessoas da ilha mostrarem que temos voz e identidade. Um lugar que não conta sua própria história vai perdendo sua memória”, aponta a escritora.
Em sintonia com a fala de Daniela, Monique também destacou a importância de que o Brasil seja visto para além daquilo que foi absorvido dos colonizadores. “Meu interesse é fazer uma literatura que não seja nenhum pouco em cima do muro”, comentou a escritora vencedora do Prêmio Jabuti. A conversa foi mediada por Lucas Barros.
Era digital
A segunda mesa da noite, intitulada “Literatura e Juventude: Comunicação na Era Digital”, reuniu Lucas Santana, Elda Paz e Bárbara Polezer, com mediação de Pedro Ribeiro. Lucas compartilhou sua vivência com as redes sociais, algo que mudou após seu contrato com a Editora Naci.
“Me disseram que eu precisava trabalhar a minha imagem na internet. Entendo que para muitos escritores é difícil. Às vezes a gente quer focar em escrever e não ficar produzindo conteúdo para o Instagram, porque isso consome da nossa mente. Mas, para mim, foi praticamente uma terapia, porque eu era uma pessoa que tinha muita dificuldade de comunicação”, revela.
A jornalista Bárbara Polezer também acompanhou o poder amplificador de vozes das mídias digitais através do projeto “Minha Voz na Vez”. A proposta era realizar uma oficina de comunicação comunitária com alunos do EREM Arquipélago Fernando de Noronha, resultado na produção de podcastas.
“Queria ouvir as perspectivas deles sobre o que se passava na ilha. Foram 32 adolescentes que não sabiam do potencial que eles tinham para falar. A grande satisfação, para mim, foi ver o quanto eles tinham a falar”, disse.
Meio Ambiente
Realizado em pleno Dia do Meio Ambiente, o evento celebrou o aniversário de 40 anos da criação da Área de Proteção Ambiental (APA), que também ocorre nesta sexta. Representantes do ICMBIO e da Administração de Fernando de Noronha falaram brevemente sobre preservação da natureza. Foram exibidos documentários feitos por estudantes com essa temática e houve corte de bolo em comemoração.
