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“Sessão de Terapia”, no Globoplay, segue formato original em um filão inesgotável

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O seriado “Sessão de Terapia” tem temporadas intermitentes. Entre 2012 e 2021, foram cinco temporadas, com 185 episódios no total.

A série estreou em 22 de maio a sexta temporada, que terá 35 episódios distribuídos por sete semanas, trazendo pela terceira vez o ator e diretor Selton Mello no papel do terapeuta Caio Baronne.

Como nos outros anos, o consultório recebe um paciente por dia, de segunda a quinta, e na sexta-feira é a vez de Caio Baronne fazer terapia de supervisão.

A estrutura segue a arquitetura criada pelo psicanalista israelense Hagai Levi, na série “Be Tipul”, em 2005. E tem uma vantagem com que todo o roteirista sonha: conteúdo virtualmente inesgotável.


Quem é quem?

Nessa sexta temporada, os pacientes são Erica (Olívia Torres), Morena (Alice Carvalho), Ulisses (Paulo Gorgulho) e Ingrid (Bella Camero), enquanto Rosa (Grace Passô) assume o posto de terapeuta de supervisão.

Cada um deles traz questões como a pressão em ambientes corporativos (Ingrid), envelhecimento (Ulisses), perdas pessoais (Morena) e pressões no ingresso à vida adulta (Erica). Diante desses pacientes, Caio Baronne busca agir como um espelho, que força cada um deles a se escutar e refletir sobre o incômodo que sente.

Superficialmente, há uma boa chance de cada um desses personagens criarem identificação com uma parcela do público. Mas semana a semana a história de cada um se aprofunda e nesse mergulho a individualidade emerge.

Ao acompanhar os labirintos psíquicos dos pacientes, o público acaba fisgado. É quase impossível não reconhecer as ciladas montadas pelas racionalizações que eles expõem, sempre centradas em sentimentos primários, como medo, raiva e carência.

Sem aquela mistura de distanciamento e compreensão com que lida com seus pacientes. Na temporada anterior, a supervisão era feita pelo Dr. Davi Greco (Rodrigo Santoro), um sujeito afável, que conduzia a consulta pelo discurso do próprio Caio.

Já a terapeuta Rosa tem uma postura mais inquisidora e menos acolhedora. Em ambos os casos, no entanto, é a oportunidade de Selton Mello mostrar versatilidade como ator.

Consistente

Essa estrutura de “Sessão de Terapia” é extremamente generosa e não só com o protagonista. Também com os atores que participam recebem personagens que ganham consistência a cada sessão, com textos que são praticamente monólogos. E os personagens ainda contam com o auxílio luxuoso de intervenções e contrapontos oferecidos pelo terapeuta.

Os roteiros são comandados por Jaqueline Vargas. Ela usa o esqueleto da versão original, mas cria, junto com um corpo de seis outros autores, histórias e personagens originais. A cenografia é simples e elegante; a iluminação suave e com uma textura sofisticada, bem cinematográfica; e a edição calma valorizam o tom intimista que a série merece.


Serviço

“Sessão de Terapia” – Sexta temporada disponível no Globoplay, com liberação de cinco episódios a cada sexta-feira.

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