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William H. Macy dirige filme com Billy Crudup e Anton Yelchin que merece ser redescoberto no Prime Video

William H. Macy dirige filme com Billy Crudup e Anton Yelchin que merece ser redescoberto no Prime Video

William H. Macy dirige Billy Crudup, Anton Yelchin, Felicity Huffman e Selena Gomez em “Força para Viver”, drama musical sobre um pai que tenta se recompor depois da morte do filho adolescente. Sam Manning, antes um executivo de publicidade, agora vive sozinho num barco, longe da rotina que tinha e sem saber muito bem o que fazer com os dias. Tudo ficou fora do lugar. Quando Emily, a ex-mulher, lhe entrega uma caixa com cadernos, letras e gravações deixadas pelo rapaz, o luto ganha forma física e a história acha um eixo nítido.

O que há naquela caixa não é apenas memória. Sozinho no barco, Sam escuta as demos, relê as letras e tenta montar um retrato tardio do filho a partir de melodias, frases soltas e gravações que ficaram guardadas tempo demais. Billy Crudup segura essa parte com firmeza. O corpo curvado, a fala baixa e o jeito ausente de andar pelo convés mostram um homem que ainda não voltou ao presente, mesmo quando o passado começa a chamá-lo com insistência.

A primeira mudança real vem quando aquelas músicas saem do barco e chegam a um microfone aberto num bar da cidade. É ali que Quentin entra de vez, tímido, talentoso e disposto a tocar ao lado de Sam, puxando o personagem para uma parceria que depois vira banda e ganha o nome de “Rudderless”. A música agora tem plateia. O que era privado, ouvido em silêncio entre madeira, água e culpa, passa a circular diante de estranhos, com ensaios, aplausos e um começo de reconhecimento que altera o pulso do filme.

Anton Yelchin é decisivo nessa virada porque Quentin não aparece apenas para animar um protagonista abatido. Nos ensaios e nos pequenos shows, ele traz curiosidade, entusiasmo e prazer de tocar, empurrando Sam para fora da inércia sem apagar a diferença entre os dois. Macy acerta a mão aqui. De um lado está o homem mais velho, marcado pela morte do filho, pela distância de Emily e pelo exílio no barco; de outro, o rapaz ligado ao palco improvisado, à descoberta da banda e ao impulso de seguir tocando, sem medir por inteiro o peso que vem junto daquelas canções.

O segredo por trás da banda

Esse encontro entre dor íntima e exposição pública dá sustentação ao longa. Sam continua preso à antiga casa, aos papéis que ainda o ligam à ex-mulher e ao hábito de esconder partes decisivas do passado de quem passa a admirar aquelas músicas, de Quentin ao circuito local que abraça a banda. O segredo pesa muito. Cada novo show, cada conversa evitada e cada passo da ascensão de “Rudderless” aumentam a sensação de que aquelas canções não servem apenas para lembrar o filho, mas também para obrigar o pai a encarar algo que ele preferia manter longe dos outros e de si mesmo.

Há momentos em que William H. Macy chega perto demais de uma forma sentimental conhecida, como se tocar aquelas músicas pudesse rearrumar perdas irreparáveis com mais rapidez do que a história comporta. Ainda assim, “Força para Viver” se sustenta quando insiste em mostrar Sam entre dois espaços muito claros, o barco onde ele escuta as demos sozinho e o bar onde transforma esse material em apresentação diante dos outros. Basta ouvir de perto. Entre a água parada, o microfone aberto e a voz do filho saindo de um gravador, o filme termina com madeira úmida, luz baixa e som batendo devagar no convés.

Filme:
Força para Viver

Diretor:

William H. Macy

Ano:
2014

Gênero:
Comédia/Drama/Tragédia

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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