Algumas histórias de vingança começam com um disparo; outras começam com uma memória que nunca deixa a pessoa seguir em frente. É exatamente esse impulso que move “Bailarina”, filme dirigido por Len Wiseman e ambientado no mesmo universo brutal e estilizado da franquia John Wick: Capítulo 3 — Parabellum. Aqui, o centro da narrativa é Eve, personagem interpretada por Ana de Armas, uma assassina treinada desde jovem dentro da organização Ruska Roma que decide perseguir os responsáveis pelo assassinato de sua família. A trama acompanha esse caminho com energia constante, equilibrando o drama pessoal da protagonista com o código rígido que organiza o submundo de assassinos profissionais.
O filme acompanha Eve enquanto ela tenta usar tudo o que aprendeu dentro da Ruska Roma para encontrar respostas que ficaram enterradas durante anos. A organização, comandada pela enigmática Diretora vivida por Anjelica Huston, funciona ao mesmo tempo como academia de balé e centro de treinamento para assassinos, um detalhe curioso que reforça a estética peculiar desse universo. O treinamento exige disciplina absoluta, e isso significa que qualquer decisão pessoal pode entrar em conflito com as regras da casa. Quando Eve decide seguir suas próprias pistas, ela inevitavelmente começa a cruzar limites que outras pessoas prefeririam manter intactos.
Nesse caminho, o filme reencontra figuras importantes desse mundo. Winston, interpretado por Ian McShane, aparece como uma das vozes que observam o avanço da protagonista com atenção calculada. Ele conhece bem o funcionamento dessa rede de hotéis, contratos e favores, e sabe que qualquer busca por vingança dentro desse sistema tende a provocar reações rápidas. Cada conversa entre os personagens revela um pouco mais sobre como essas relações funcionam: ninguém diz tudo de uma vez, ninguém entrega informação sem medir o risco.
A presença de Keanu Reeves como John Wick também reforça a sensação de que Eve está entrando em um território onde cada escolha tem peso real. O personagem surge como uma sombra familiar nesse mundo, alguém que já percorreu um caminho parecido e entende as consequências de desafiar certas regras. A interação entre os dois personagens é breve, mas significativa o bastante para mostrar que a jornada de Eve não acontece isoladamente; ela se encaixa dentro de um universo maior, cheio de alianças frágeis e códigos silenciosos.
O que torna “Bailarina” interessante é justamente esse equilíbrio entre ação e atmosfera. As sequências de combate seguem o estilo elegante que marcou a franquia, mas o filme também se preocupa em mostrar a protagonista como alguém que precisa negociar espaço dentro de um sistema que não foi feito para facilitar decisões pessoais. Eve não é apenas uma máquina de combate; ela é uma personagem tentando recuperar algo que foi tirado dela, e essa motivação dá peso emocional às escolhas que ela faz ao longo da história.
“Bailarina” é uma expansão natural do universo de John Wick, mas com um ponto de vista diferente. Em vez de repetir exatamente o mesmo tipo de trajetória, o filme aposta em uma protagonista que cresceu dentro das regras desse mundo e agora precisa lidar com o que acontece quando decide atravessá-las. O resultado é um thriller de ação elegante, cheio de energia e estilo, que mantém o espectador interessado tanto pelas coreografias de combate quanto pela determinação silenciosa de Eve em seguir em frente.
Filme:
Bailarina
Diretor:
Len Wiseman
Ano:
2025
Gênero:
Ação/Suspense
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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