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Viagens corporativas batem recorde e faturam R$ 147,8 bi em 25

Viagens corporativas batem recorde e faturam R$ 147,8 bi em 25

O setor de viagens corporativas fechou 2025 com crescimento de 6,3% e faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões, consolidando a retomada e o fortalecimento do segmento no Brasil. Os dados foram apresentados durante o segundo dia do LACTE 2026, principal encontro da indústria, promovido pela Alagev.

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias

As informações fazem parte do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a entidade. Apenas em dezembro, as despesas com passagens aéreas, hospedagem, locação de veículos, alimentação e outros serviços turísticos somaram R$ 9,8 bilhões, alta de 4% na comparação anual e o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2011.

A projeção para 2026 é ainda mais otimista. O setor pode avançar cerca de 7% e alcançar R$ 158 bilhões em faturamento, mesmo em um cenário marcado por eleições, Copa do Mundo e instabilidade geopolítica.

Juliana Patti, presidente; Bruna Tiemy Ono, candidata a diretora financeira na nova diretoria; Guilherme Dietze, da FecomercioSP; e Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev – Crédito: Caio Gallucci

Cenário econômico e impactos no setor

Durante a palestra “Economia & Viagens Corporativas: O que esperar para 2026”, o economista Guilherme Dietze analisou o ambiente internacional e destacou mudanças no comportamento dos investidores globais. Em meio às incertezas, ativos considerados reais, como o ouro, passaram a ganhar espaço como alternativa de proteção, enquanto o dólar perdeu força relativa.

Dados do Banco Central do Brasil mostram que o movimento global tem reflexos diretos no país. A cotação do dólar recuou da faixa de R$ 5,80 em 2023 para cerca de R$ 5,20, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro atraído pelo diferencial de juros.

A taxa básica de juros chegou a 15% ao ano em junho de 2025, após sucessivas altas iniciadas em 2024. A expectativa é de recuo para 12,25% até dezembro de 2026. Com inflação acumulada em 12 meses entre 4,3% e 4,4%, abaixo do teto da meta de 4,5%, o Brasil mantém juros reais elevados em comparação ao cenário internacional.

Para Luana Nogueira, diretora executiva da Alagev, o país passou a ocupar posição estratégica na realocação de capital global, favorecendo o ambiente de negócios e, consequentemente, as viagens corporativas.

Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP; e Juliana Patti, presidente da Alagev - Crédito: Caio Gallucci
Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP; e Juliana Patti, presidente da Alagev – Crédito: Caio Gallucci

Mercado interno sustenta crescimento

As projeções do Banco Central indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2026 e 2027, e de 2% em 2028 e 2029. Embora moderado, o avanço afasta o risco de recessão e mantém a atividade econômica ativa.

O mercado de trabalho também contribui para esse cenário. Dados do IBGE apontam taxa de desemprego de 5,1% em 2025, a menor da série recente, enquanto a massa de rendimentos alcançou R$ 380 bilhões, recorde histórico.

No transporte aéreo, números da Agência Nacional de Aviação Civil indicam que 129,6 milhões de passageiros foram transportados em 2025, alta de 9,4%. Já a demanda medida em passageiros por quilômetro transportado cresceu 11,3%, totalizando 279,6 bilhões.

Na hotelaria, levantamento do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil mostra aumento de 2,1% na taxa de ocupação e elevação da diária média de R$ 380 para R$ 416, crescimento real de 10,5% já descontada a inflação.

Apesar do ambiente favorável, permanecem desafios estruturais, especialmente na área fiscal. O elevado nível da dívida pública exige manutenção de juros altos, encarecendo o crédito e limitando um crescimento mais acelerado.

Ainda assim, com inflação sob controle, mercado de trabalho aquecido e entrada consistente de capital estrangeiro, a expectativa é de continuidade da expansão das viagens corporativas em 2026, consolidando o Brasil como um dos principais mercados da América Latina no segmento.



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