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Veredas inspira viagem pelo coração do Brasil

Veredas inspira viagem pelo coração do Brasil

Uma experiência literária pelo sertão brasileiro propõe imersão inspirada na obra de João Guimarães Rosa entre os dias 20 e 24 de maio de 2026

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias

Publicado em 1956, Grande Sertão: Veredas ocupa um lugar singular na literatura brasileira. Ao transformar o sertão em matéria literária de alcance universal, Guimarães Rosa construiu um romance que ultrapassa o regionalismo e se afirma como uma reflexão profunda sobre a condição humana, seus conflitos, afetos, ambiguidades e escolhas. Setenta anos depois, a obra permanece viva, mobilizando leitores não apenas pela força da linguagem, mas pela experiência transformadora que oferece a quem se dispõe a atravessá-la.

Amanhecer na Lagoa das Araras Trijunção – Crédito: divulgação

É nesse contexto que acontece a viagem em grupo “Grande Sertão: Veredas”, entre os dias 20 e 24 de maio de 2026. A jornada é realizada pela produtora de viagens com conhecimento NomadRoots, especializada em viagens personalizadas e experiências imersivas que conectam literatura, cultura e território. Inspirada no universo rosiano, a proposta articula livro, paisagem e presença, convidando os participantes a se aproximarem do sertão não apenas como espaço geográfico, mas como experiência sensível e simbólica.

O roteiro inclui áreas do Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, com acesso por caminhos exclusivos a partir da Pousada Trijunção, que estará reservada exclusivamente para o grupo. Localizada no encontro entre Goiás, Minas Gerais e Bahia, a pousada ocupa um ponto singular do território brasileiro, onde fronteiras se diluem e o distanciamento do cotidiano se transforma em possibilidade de reconexão. Estar ali representa, para muitos participantes, uma forma de se aproximar da paisagem, das escutas e das experiências que alimentaram a escrita de Guimarães Rosa.

Amanhecer na Lagoa das Araras Trijunção - Crédito: divulgação
Amanhecer na Lagoa das Araras Trijunção – Crédito: divulgação

A viagem tem início em Brasília, não apenas como ponto de partida logístico, mas como um portal simbólico que prepara, por contraste, para o que espera no coração do Cerrado. Ao chegar à Pousada Trijunção, o tempo desacelera. Caminhadas, pausas, leituras e conversas se constroem em diálogo com o ambiente natural e com os modos de vida do Cerrado, apresentados também por guias especialistas que revelam camadas da paisagem que não se mostram à primeira vista.

Para quem já participou de outras edições, a experiência se renova a cada travessia. “Cada edição é diferente porque o sertão nunca se apresenta da mesma forma, e quem caminha também não. A luz, o clima e o tempo do dia transformam a paisagem, mas a experiência muda sobretudo conforme o estado interior de cada pessoa”, afirma o professor e escritor Chico Escorsim.

Avistamento Lobo Guará - Trijun - Crédito: divulgação
Avistamento Lobo Guará – Trijun – Crédito: divulgação

A jornalista Rafaella Silva, que também retornou ao sertão em mais de uma edição, compartilha percepção semelhante. Segundo ela, o livro está sempre presente, mas não como algo a ser explicado. Ele surge nos intervalos, nas conversas espontâneas e nos detalhes do caminho. Há compreensões que só acontecem quando o corpo está em movimento.

Desde 2021, a experiência reúne grupos reduzidos de leitores em encontros marcados pela escuta, pela contemplação e pelo contato direto com o território. A edição de 2026 ganha ainda mais relevância ao coincidir com o ano de celebração dos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, período em que a obra volta ao centro do debate cultural brasileiro, com novas edições, estudos críticos, projetos cênicos e o lançamento de uma ampla biografia de Guimarães Rosa.

Mais do que uma releitura do romance, a proposta parte da compreensão de que o sertão rosiano não se encerra no livro. Ele se expande quando confrontado com o território que lhe deu origem, um espaço onde natureza, linguagem e humanidade se cruzam continuamente. “Sinto que passei um tempo em suspenso, fora da dimensão em que estamos inseridos normalmente. A sensação foi de pertencimento ao grupo, à natureza e a cada minuto vivido no sertão”, relata Zilda Fraletti, participante de edições anteriores. Segundo ela, a obra de Guimarães Rosa revela que o sertão também habita cada um de nós.

A travessia literária “Grande Sertão: Veredas” acontece de 20 a 24 de maio de 2026. Mais informações estão disponíveis no site da NomadRoots e no perfil oficial do projeto no Instagram – @club.nomad.





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