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Vencedor de 3 Emmys e exibido em Cannes: o romance biográfico na HBO Max que tira o fôlego

Vencedor de 3 Emmys e exibido em Cannes: o romance biográfico na HBO Max que tira o fôlego

Steven Soderbergh é famoso por seus enredos de golpes, investigações e processos cujo fecho aponta para julgamentos que se arrastam por meses e deságuam em indenizações multimilionárias. Soderbergh leva o espectador a acreditar que ninguém deve confiar em ninguém, ninguém sequer gosta de ninguém, que toda criatura na face da Terra só se interessa por obter a maior vantagem que conseguir, sobre o maior número de otários. Essa sensação começa de maneira bastante sutil e explode em “Behind the Candelabra”, uma história de amor kitsch e devastadora. Richard LaGravenese adapta o livro homônimo de Scott Thorson (1959-2024), coescrito pelo jornalista Alex Thorleifson, dando ênfase à natureza contraditória e flagrantemente antagônica da relação entre Thorson e Wladziu Valentino Liberace (1919-1987), o pianista mais popular da América entre os anos 1950 e 1970. Liberace fazia de tudo para que as pessoas achassem que ele se bastava, mas Soderbergh o arranca desse armário cheio de babados, paletós e calças de lantejoulas e autossuficiência e mostra um homem solitário, em busca de um tipo peculiar de validação. É aí que Thorson entra.

Ouro de tolo

Liberace parece disposto a matar ou morrer diante da plateia, sempre em nome do show. Em 118 minutos, Soderbergh faz um registro detalhado desses instantes de glória, sem se esquecer da outra ponta, onde está Thorson. Adestrador de animais em filmes de baixo orçamento, Thorson frequenta os inferninhos de West Hollywood sem nenhuma expectativa que não seja soltar os bichos na pista de dança e terminar a noite na companhia de um candidato a apolo, mas a sorte vai virar. Ele conhece Bob Black, um tipo sem ocupação definida, até meio etéreo, conhecido por transitar nos circuitos inalcançáveis dos artistas, e os dois assistem a um concerto de Liberace. Profissional até a medula, o pianista preenche o espaço com as melodias frenéticas tocadas no compasso que somente ele domina, conta anedotas, conquista a plateia. Bob e seu quase namorado vão ao camarim do Senhor Espetáculo. E um legítimo conto de fadas ganha corpo.

A profana família

O encontro de Thorson e Liberace leva “Behind the Candelabra” ao que se queria desde o princípio, sem que ninguém tenha motivo para reclamar do que veio antes. Caprichoso, Soderbergh segue expondo os meandros mais distantes de seu biografado, contando com o admirável entrosamento de Michael Douglas e Matt Damon, que disputam palmo a palmo o centro da narrativa. Douglas, um dos grandes sedutores do cinema, prova que ainda é capaz de personificar a luxúria quase explícita de “Atração Fatal” (1987), o clássico do suspense erótico de Adrian Lyne, e nisso é sobejamente auxiliado por Damon, flagrado em cenas de nudez e sexo que não têm nada de vulgares e tampouco gratuitas. Em meio a isso, a insânia do Rei de Las Vegas e seus excessos, suas cirurgias plásticas, suas compras de milhares de dólares, suas tiradas espirituosas sobre o show business e, claro, a escandalosa adoção de Thorson que descambou para a tentativa de moldá-lo a sua imagem e semelhança, por dentro e por fora. Cerca de quarenta anos depois de sua morte, Liberace é mais lembrado por ser um excêntrico que por ser artista. Ele riria disso.

Filme:
Behind the Candelabra

Diretor:

Steven Soderbergh

Ano:
2013

Gênero:
Biografia/Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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