CADE aprova sem restrições o aumento da participação da United Airlines na Azul Linhas Aéreas
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou na última semana, sem restrições, o plano da United Airlines para ampliar sua participação minoritária na Azul Linhas Aéreas.
A decisão autoriza a United a elevar sua participação econômica na Azul de aproximadamente 2% para quase 8%, por meio da aquisição de novas ações emitidas pela aérea brasileira.
Segundo comunicados das empresas, a transação foi aprovada sem imposição de condições. O CADE avaliou que a ampliação da participação não confere controle societário à United, mantendo o caráter minoritário do investimento.
A United é acionista da Azul desde 2015 e mantém uma relação comercial de longo prazo com a companhia, que inclui acordos de codeshare e cooperação operacional. A ampliação da fatia acionária aprofunda essa parceria, sem alterar, do ponto de vista formal, a governança de controle da empresa brasileira.
O aporte faz parte do plano mais amplo da Azul para reestruturar seu balanço no âmbito do Chapter 11, o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, iniciado em maio de 2025. Desde então, a companhia segue operando voos normalmente, enquanto busca reduzir endividamento e reforçar a liquidez de curto prazo.
Como parte do processo, a Azul prevê a captação de novos recursos por meio de emissões de ações destinadas tanto ao mercado quanto a investidores estratégicos, incluindo a United. Os recursos serão direcionados à redução de dívidas e ao fortalecimento da posição financeira da empresa na saída da recuperação judicial.
Assim como outras empresas do setor aéreo brasileiro, a Azul enfrenta pressão financeira decorrente de custos dolarizados, especialmente contratos de leasing, combustível e volatilidade cambial.
O plano de reestruturação contempla a devolução de parte da frota aos arrendadores, renegociação de contratos de leasing e a emissão de novas ações, com consequente diluição dos atuais acionistas.
Apesar da aprovação, a operação deverá ser analisada pelo Tribunal do CADE. O Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPS Consumo) protocolou pedido de intervenção no processo e questiona a rapidez da aprovação.
Juliana Pereira, presidente do instituto, disse que a decisão pode trazer impactos negativos aos consumidores e acrescentou ainda que há lacunas na notificação apresentada por Azul e United, especialmente quanto ao entrelaçamento societário com outros grupos do setor e aponta a necessidade de análise conjunta da participação da American Airlines na Azul.
De acordo com instituto, United e American poderão se tornar acionistas de referência, com assentos no Conselho de Administração e no Comitê Estratégico da Azul, ao mesmo tempo em que mantêm relações societárias e comerciais com o grupo ABRA, holding que controla a Gol Linhas Aéreas e a Avianca, concorrentes diretas em rotas relevantes no mercado brasileiro e entre Brasil e Estados Unidos.
Procurada por AERO Magazine, a Azul disse que não irá comentar o assunto.
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