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Uma mulher resolve ter um inusitado acerto de contas com sua história em dramédia estrelada por Catherine Deneuve no Prime Video

Há quem se esquive da culpa, há quem tente ignorar as próprias escolhas, mas a verdade, feito o sol, não só ilumina como queima. Fugir é adiar os embates em que a consciência pode ser uma amiga ou adversária das mais cruéis, deixando o espírito entre o sonho e a insanidade. Corajosa, a protagonista de “A Última Loucura de Claire Darling” atravessa uma zona cinzenta entre o real e o ilusório, o verdadeiro e o enganoso, tudo em busca de recuperar-se e conhecer-se, a seu modo. Suas dificuldades quanto a lidar com um passado que não passa agravam-se com a iminência de um distúrbio neurológico, detalhes que a diretora Julie Bertuccelli esmiúça com cuidado, desviando de soluções fáceis e investindo numa metáfora certeira para representar o desconforto de Claire com o mundo que a rodeia.

O preço de uma vida

Aos poucos, Claire vai percebendo a finitude mais e mais próxima e, pior, sente que não fez tudo o que deveria ter feito. Seus amores são lembranças, sua família, apenas um quadro na parede, viver tornou-se um fardo cujo peso não aguenta mais carregar e ela mesma não se reconhece, padecendo de uma demência que avança rápido. Inspiradas pelo romance da americana Lynda Rutledge, Bertuccelli e as corroteiristas Mariette Désert e Marion Doussot captam todos os movimentos da personagem central, sugerindo seu divórcio da realidade ao passo que também insinuam que ao decidir vender todos os objetos de sua velha casa num bazar no jardim ela pode estar mais lúcida do que jamais esteve. Essas duas imagens definem boa parte dos 94 minutos do longa, e se enriquecem com a performance de uma atriz que, ironicamente, remete ao belo e ao vigor.

Fome de viver

Como sói acontecer, Catherine Deneuve galvaniza todas as peças da história. Ela convence o público de que Claire é alguém que conhecemos, uma mulher comum com uma vida comum, feita de acertos e deslizes, que ela tenta reparar antes que não haja mais tempo. A Marie de Chiara Mastroianni, filha de Deneuve com Marcello Mastroianni (1924-1996), acaba sendo uma saborosa brincadeira metalinguística, a que as duas convidam o espectador, com hora certa para o riso e para o choro. Assistindo-as, parece fácil manipular a emoção alheia, mas o que se tem aqui é o justo equilíbrio entre afeto e técnica, intimidade e rigor.

Filme:
A Última Loucura de Claire Darling

Diretor:

Julie Bertuccelli

Ano:
2018

Gênero:
Comédia/Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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