Sonhar pode vir a ser uma perigosa armadilha. Quando a vida entra numa espécie de giro eterno, e ciclos se iniciam e têm fim sem que consigamos perceber, é hora de mudanças radicais no que temos feito de nossa jornada. Bernardette Fox chega a um ponto em que não sabe o que pode ser a dura realidade e aquilo que só existe mesmo na sua cabeça delirante, emulando dias de glória de que não desfrutara. Bernadette é o arquétipo da boa loucura, perdendo-se e tornando a se encontrar num carrossel de desejos recalcados, tormento e salvação. Em “Cadê Você, Bernadette?”, Richard Linklater galvaniza uma pletora de elementos de um humor finíssimo, encarnado por uma personagem central fértil de idiossincrasias das quais o público vai se apropriando sem pedir-lhe licença, por uma razão simples: elas também lhe pertencem. Guiando-se pelo livro homônimo de Maria Semple, de 2012, Linklater e os corroteiristas Holly Gent e Vincent Palmo Jr. tentam desvelar a mente labiríntica de uma mulher ávida por ter de volta todo o seu tempo depois de ter feito escolhas que lhe pareceram acertadas um dia. E eles não poderiam dispor de ninguém mais qualificado para a tarefa.
A maternidade nunca foi para todas as mulheres, e muito mais dignas de respeito são as que envelhecem sozinhas, ocupadas de si mesmas, do que certas mães, as senhoras de bem que rejeitam filhos no momento em que se dão conta de que eles não cabem nas aspirações e sonhos que sempre foram apenas seus, nunca deles. Bernadette Fox poderia atender pelo nome de Esther Greenwood, a antimocinha de “A Redoma de Vidro” (1963), único romance da poetisa Sylvia Plath (1932-1963), sobre a jovem talentosa que tem a chance de estagiar numa prestigiada revista em Nova York, mas que progressivamente mergulha num colapso psicológico irreversível. Semi-autobiográfico, intenso e perturbador, o livro de Plath decerto foi uma inspiração para Semple, que despeja em Bernadette neuroses e culpas dos quatro bilhões de mulheres ao redor do globo. Ela constituíra uma promessa da arquitetura, mas abdicou da carreira pelo casamento com Elgie Branch, gênio da computação e viciado em trabalho, com quem teve Bee. Não muito tempo depois, Bernadette desenvolveu uma agorafóbica severa, e é por aí que Linklater conduz o filme, em lances engenhosos e polissêmicos em que Cate Blanchett brilha, também ajudada pelo ótimo trabalho de Billy Crudup e Emma Nelson.
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