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Uma história de amor para adoçar o carnaval, na Netflix

Em “Como Eu Era Antes de Você”, dirigido por Thea Sharrock, Emilia Clarke e Sam Claflin vivem Louisa Clark e Will Traynor, duas pessoas que se conhecem no pior momento possível: ele após um acidente que o deixa tetraplégico, ela precisando urgentemente de emprego. O conflito central é direto e doloroso: enquanto Louisa tenta convencer Will de que a vida ainda pode ser vivida com intensidade, ele já tomou uma decisão sobre o próprio futuro.

Will Traynor (Sam Claflin) era ativo, rico, acostumado a esportes radicais e viagens pelo mundo. Depois de ser atingido por uma moto, passa a depender de cadeira de rodas e cuidados constantes. De volta à casa dos pais, vive sob a supervisão atenta de Camilla Traynor (Janet McTeer), que organiza horários, tratamentos e funcionários, tentando impedir que o filho se feche completamente. Will reage com ironia e frieza, reduz visitas e mantém distância emocional, deixando claro que não quer piedade.

É nesse cenário que Louisa Clark (Emilia Clarke) entra. Sem experiência na área da saúde, ela aceita o trabalho porque precisa do salário depois de perder o emprego no café onde trabalhava. Lou chega colorida, falante, com roupas chamativas e uma energia que contrasta com o clima silencioso da casa. No início, ela enfrenta resistência direta: Will corta conversas, debocha das tentativas de animação e faz questão de mostrar que não pediu por aquela companhia. Isso coloca o emprego dela em risco desde o primeiro mês.

Primeiros embates na casa

Louisa decide não recuar. Em vez de tratar Will apenas como paciente, começa a provocar pequenas mudanças na rotina. Sugere filmes, músicas, passeios curtos. Cada proposta é recebida com sarcasmo, mas, aos poucos, ele aceita alguns convites. Pequenas saídas exigem planejamento, transporte adaptado e autorização da família, o que envolve diretamente Camilla e reforça que, ali, nada acontece sem negociação.

Aos poucos, o quarto de Will deixa de ser apenas espaço de tratamento e vira também lugar de conversa. Lou insiste em falar sobre o mundo lá fora, sobre experiências que ele ainda pode ter. Ele escuta mais do que admite. Essa mudança sutil altera o clima da casa: os pais percebem que o filho volta a participar, ainda que discretamente, das decisões do dia.

Um plano para mudar o rumo

Quando Lou descobre que há um prazo silencioso envolvendo a permanência dela no trabalho e, mais importante, uma decisão já tomada por Will, ela transforma o cuidado em missão pessoal. Passa a organizar experiências maiores, incluindo uma viagem que exige logística complexa e apoio financeiro da família. Cada passo depende de autorização, cada gasto precisa ser justificado.

Will aceita embarcar nessas experiências, mas mantém a postura firme sobre sua autonomia. Ele quer aproveitar o que ainda pode, mas não admite que outras pessoas decidam por ele. Essa tensão dá peso real às cenas românticas. O sentimento cresce, mas cresce junto com a consciência de que amor não apaga limites físicos nem resolve conflitos éticos.

Há momentos de leveza, inclusive cômicos, muito por causa da expressividade de Emilia Clarke. Lou tropeça, exagera, fala demais. Will responde com ironias afiadas. O humor funciona como respiro, mas nunca esconde a gravidade do que está em jogo. Cada sorriso vem acompanhado da lembrança de que o tempo ali é contado.

Amor sob pressão

Conforme o relacionamento se aprofunda, Louisa expõe seus sentimentos e tenta convencer Will de que existe um futuro possível, ainda que diferente do passado. Ela coloca na mesa argumentos práticos, sonhos, planos. Ele ouve, participa, demonstra carinho, mas não cede facilmente. A discussão deixa de ser apenas emocional e passa a envolver direito de escolha, dignidade e controle sobre o próprio corpo.

Janet McTeer, como a mãe, equilibra firmeza e desespero contido. Camilla quer proteger o filho, mas também teme ultrapassar a linha entre apoio e imposição. Dentro daquela casa, cada decisão mexe com a autoridade de alguém: a de Will sobre si mesmo, a dos pais sobre os recursos, a de Lou sobre seu papel como cuidadora.

Thea Sharrock conduz a história sem exageros melodramáticos. A câmera privilegia rostos e silêncios, deixando que as reações falem mais do que discursos longos. O filme aposta no impacto das escolhas individuais e evita transformar a trama em tese. O foco está sempre nos personagens e nas consequências concretas das decisões que eles tomam.

“Como Eu Era Antes de Você” mostra duas pessoas tentando amar dentro de limites muito claros. Lou entra naquela casa em busca de salário e sai transformada pelas decisões que presencia. Will, por sua vez, mantém o controle sobre aquilo que considera essencial. E é essa disputa silenciosa entre afeto e autonomia que sustenta o filme até a última cena, sem precisar recorrer a explicações ou moralizações.

Filme:
Como Eu Era Antes de Você

Diretor:

Thea Sharrock

Ano:
2016

Gênero:
Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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