“Até a Última Gota” começa com Janiyah correndo atrás de tarefas básicas ligadas à filha e aos medicamentos. Ela tenta resolver o que cabe no dia e, a cada etapa, decide rápido, volta para a fila e perde minutos no caminho. O roteiro não dá folga. Quando ela escolhe um caminho, a urgência retorna na forma de espera e de energia que não volta entre uma tentativa e outra.
Taraji P. Henson segura esse vaivém com o corpo em alerta e a voz sempre perto do estouro, o que combina com a forma como a casa desaba cedo. A expulsão e a falta de dinheiro entram em gesto simples, sem rodeio. Ela junta o que tem, conta, guarda no bolso e vê sumir. Cada nota vira minuto de atraso, e a personagem reage mais do que calcula, como alguém que já perdeu a chance de sentar e reorganizar o dia.
A história chega ao banco e troca deslocamento por contenção, prendendo a ação num espaço único, com reféns como obstáculo e também como relógio. Janiyah entra, ameaça, manda gente ficar, e a urgência vira uma sequência de ordens curtas e recuos. Quem fala, quem se move, quem espera calado, quem tenta ganhar alguns minutos sem piorar a situação. A encenação insiste em comandos repetidos, e a permanência ali faz a demora pesar na mesma sala.
Do lado de fora, a emboscada policial toma forma em ações pequenas que mudam a situação a cada minuto. A polícia cerca, para carro, aponta arma, abre espaço e interrompe o que poderia virar conversa contínua. Quando a negociação aparece, ela depende de coordenação e de sinais que nem sempre chegam limpos. Um gesto errado encurta o tempo de todo mundo. O cerco não deixa margem para pausa, e a rua vira espera sob comando.
Teyana Taylor entra como presença de autoridade no quadro, colada ao trabalho de contenção em torno da polícia e do banco. Ela fala, pede calma e tenta manter a linha enquanto o impasse se rearranja a cada minuto do lado de fora. Taylor é mais precisa quando precisa responder na hora a frases curtas. Cada resposta alonga ou encurta a espera de quem está preso no prédio, sem que a cena precise subir o tom para ser entendida.
O roteiro empilha infortúnios e não deixa Janiyah recuperar o fôlego entre uma ida e outra. Ele volta ao dinheiro e à rotina sempre que pode, e em alguns trechos faz a personagem repetir movimentos que soam menos estratégia e mais desespero sem descanso. Isso estende certas situações e cobra atenção. A cada retomada, o filme pede que o espectador acompanhe uma porta fechada e um minuto perdido, sem atalho.
Perry conduz a escalada com cortes que puxam a história de volta ao banco sempre que ela ameaça se espalhar. A decisão de permanecer perto dos reféns prende Janiyah ao mesmo lugar e obriga a personagem a administrar fala e silêncio na mesma mesa, frase por frase, minuto por minuto. Quando a cena se alonga, não há desvio confortável. O tempo parado vira conta de cansaço e irritação, sobretudo para quem não consegue sair nem respirar fora do quadro.
Rockmond Dunbar aparece em posição de comando ligada à polícia, com falas que empurram o procedimento e encurtam a margem para improviso. Ele segura a reunião, dá ordem e muda a posição de gente em volta, o que torna a operação mais rígida e faz o relógio pesar sobre quem está dentro. Sua presença dá contorno ao cerco. Cada decisão do lado de fora vira mais minutos de espera no prédio.
A confiança entra como necessidade prática, porque Janiyah passa a depender de pessoas ao redor quando já não tem dinheiro, casa e controle sobre o que acontece no banco. Ela escolhe em quem prestar atenção, interrompe falas, volta atrás e hesita. Cada hesitação altera o tempo do impasse e a segurança dos reféns, com a mesma sala cobrando decisão. O filme cresce quando registra essas escolhas curtas e deixa o desgaste virar atraso, sem transformar a cena em discurso.
Na reta final, a experiência segue menos pelo mistério e mais pelo cálculo de tempo dentro de um espaço fechado, com gente exausta e palavras contadas. Janiyah passa boa parte do filme tentando ganhar minutos para resolver o tratamento da filha, e o roteiro prende essa tentativa num lugar só, onde qualquer erro empurra a espera para a frente. Quando a cena retorna ao banco, com reféns parados e a polícia do lado de fora, a conta volta a ser de coordenação e de minutos perdidos no mesmo banco.
Em “Até a Última Gota”, Tyler Perry encadeia problemas práticos sem intervalo. Cada tentativa de resolver uma necessidade imediata puxa outra espera, outro deslocamento, outra conta que não fecha. Janiyah, com a filha doente como prioridade, atravessa o dia tentando manter o básico de pé até empurrar a crise para dentro de um banco, com reféns e polícia do lado de fora. A mudança de cenário altera o ritmo, mas não alivia o peso. O tempo passa por ordens, recuos e negociação, e ninguém sai sem gastar minutos e energia.
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