Categories: Turismo

um mercado bilionário sustentado por escassez

*por Develon da Rocha

O mercado brasileiro de eventos presenciais movimentou cerca de R$ 131 bilhões em 2024, segundo dados do Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE). É um volume que coloca o setor entre os grandes motores da economia nacional. Mas o dado que realmente merece atenção vem logo em seguida.

Esse mercado é sustentado por aproximadamente 179 mil profissionais formais, também de acordo com a ABRAPE.

Essa conta expõe um desequilíbrio estrutural difícil de ignorar. Um setor bilionário operando com uma base profissional enxuta não é sinônimo de eficiência, é sinal de gargalo. Há demanda reprimida, há orçamento disponível e há eventos acontecendo em escala crescente, mas falta gente preparada para pensar, planejar e entregar estrategicamente.

Na prática, isso se traduz em um paradoxo recorrente. Eventos cada vez maiores, mais caros e mais relevantes convivendo com decisões improvisadas, modelos repetidos e baixo aproveitamento do potencial de retorno para marcas, patrocinadores e destinos. O problema não está na falta de dinheiro. Está na falta de inteligência aplicada.

Enquanto outros mercados enfrentam saturação, competição extrema e margens cada vez menores, o setor de eventos segue operando em um território ainda pouco explorado do ponto de vista profissional. Existe um vazio claro entre a operação e a estratégia. E é exatamente aí que surgem as maiores oportunidades.

A escassez de mão de obra qualificada, amplamente relatada por organizadores e contratantes, não é um risco futuro. É uma realidade atual. E, como todo cenário de desequilíbrio, favorece quem se antecipa. Profissionais e empresas que investirem agora em formação, visão sistêmica e capacidade de gerar valor não apenas ocuparão espaço. Vão liderar a próxima fase de amadurecimento do setor.

O mercado de eventos já é grande. Os números comprovam. Falta decidir se ele continuará crescendo no improviso ou se vai, finalmente, profissionalizar-se na mesma velocidade do dinheiro que movimenta.

*Develon da Rocha, empresário e presidente do Sindicato das Empresas de Promoção e Organização de Feiras, Congressos e Eventos do Estado de Santa Catarina (Sindeventos/SC)



Fonte

Redação

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