“Anônimo 2”, de Timo Tjahjanto, acompanha Hutch Mansell em um momento de desgaste que nasce da rotina de trabalho e chega até a mesa de jantar. O serviço continua sob a coordenação de The Barber, e a soma de missões empurra Hutch para longe de Becca e dos filhos, dia após dia. A tentativa prática de estancar essa distância aparece na decisão de interromper a engrenagem por alguns dias e trocar obrigação por convivência.
A viagem para Plummerville põe essa promessa à prova, com Bob Odenkirk levando Hutch a uma cidade turística que deveria ser simples e previsível, sem interferências. Em “Anônimo 2”, a família chega com o pai David no grupo e com a expectativa de repetir um descanso de infância, agora no parque aquático/carnaval e nos arredores. A escolha do lugar cobra rápido: áreas de lazer viram pontos de atrito com gente que age como se controlasse o território.
O arcade é o primeiro choque, nascido do contato entre Brady e um garoto local, Max Martin, num desentendimento que termina em expulsão e hostilidade. A escalada seguinte vem quando um funcionário agride Sammy, e Hutch reage com violência, transformando a confusão de férias em problema da cidade. Wyatt Martin e o xerife Abel passam a tratar a família como alvo a ser empurrado para fora dali.
Os recados chegam em forma de ataques e emboscadas, e a família entende na prática que não existe margem para normalidade naquele verão improvisado. Um grupo ligado a Abel ataca Hutch em um barco e o fere, deixando claro que a autoridade local não opera como proteção, mas como braço de intimidação. O golpe obriga Hutch a abandonar o plano de “aguentar e ir embora” e a procurar explicação para o tamanho da reação.
Com Hutch ferido e a família marcada, a saída imediata vira promessa difícil de cumprir. O mesmo ambiente que deveria oferecer distração passa a impor escolhas curtas: ficar quieto e aceitar a expulsão, ou encarar quem manda ali para ganhar tempo, espaço e informação. Esse aperto empurra Hutch para fora do improviso e aproxima o problema doméstico do problema local, porque cada tentativa de voltar ao descanso depende de negociar com gente disposta a retaliação.
O contato com Harry Mansell amplia o quadro e liga Plummerville a um esquema de contrabando, com o parque e a cidade servindo como fachada. Um comando maior, com Lendina no topo, reorganiza o jogo: Abel e Wyatt deixam de ser apenas figuras agressivas do lugar e passam a parecer peças substituíveis de uma operação. Wyatt tenta se desvincular do que está instalado ali, mas a tentativa provoca retaliação e coloca Max como moeda de coerção.
A promessa de sair perde valor quando Hutch vê o sequestro de Max e decide agir para resgatar o garoto, aceitando o risco de atrair ainda mais perseguição. O ataque ao coração do esquema vem com uma ação objetiva: Hutch incendeia dinheiro e drogas, e a explosão chama uma resposta imediata do outro lado. A fuga com Max até um lodge dá uma pausa curta, e a reconciliação entre Brady e Max encerra o atrito adolescente, deixando o perigo adulto como foco incontornável.
O conflito dentro de casa não desaparece com a troca de cenário, porque Becca continua cobrando a promessa de férias “sem trabalho”, e Connie Nielsen coloca essa cobrança como parte do cerco, não como adorno. A presença de David e a entrada de Harry aproximam a família de uma lógica de equipe, e a aproximação circunstancial com Wyatt aponta para uma saída tática, não limpa. Com Lendina pressionando e Abel operando a violência na cidade, Plummerville segue como território fechado, e o parque se aproxima do ponto em que ninguém consegue apenas ir embora.
Filme:
Anônimo 2
Diretor:
Timo Tjahjanto
Ano:
2025
Gênero:
Ação/Comédia/Crime/Thriller
Avaliação:
9/10
1
1
Natália Walendolf
★★★★★★★★★★

