Categories: Cultura

Um dos melhores filmes de 2025 estreou hoje na Netflix — e quase ninguém percebeu

O dinheiro por si só não é um mal. Num mundo de aparências, o que se faz com o dinheiro, sim, pode ser um problema, e a partir do momento em que os bens materiais definem a percepção dos outros a nosso respeito, um abismo de ilusões está formado. Muitos irão empenhar a alma para tentar pertencer a um universo exclusivo e paralelo, perdendo-se irremediavelmente passado algum tempo; outros, a minoria, chegam lá, cientes de que terão de pagar um preço talvez injusto. Enriquecer sem fazer esforço é o sonho de nove décimos da humanidade, não importa quais sejam as consequências ou se é preciso atropelar a lei ou noções básicas de ética e moral, como se assiste no ótimo “Depois que Morri, Todos me Amam”. Mais uma vez, o ponto de vista do cinema tailandês acerca dos assuntos que continuarão torturando a natureza humana eternidade afora causa espécie graças à clareza em chamar as coisas por seus verdadeiros nomes, uma qualidade cada dia mais infrequente em Hollywood que o diretor Nithiwat Tharatorn sabe manejar como poucos.

Alguém pode passar anos a juntar suas economias com todo o sacrifício e terminar servindo de comida de gato. O roteiro de Sopana Chaowwiwatkul equilibra-se entre imagens chocantes, repulsivas, e sutilezas quase poéticas a fim de sustentar seu mote. Toh, o subgerente de um banco de Pattaya, cidade turística a cerca de duas horas de Bangcoc, tem agarrado todas as chances de mostrar eficiência e conseguir a tão esperada promoção. Todavia, parece que todo o seu empenho é inversamente proporcional aos resultados, e ele gira em parafuso, tentando adivinhar o que deve fazer para, afinal, subir.  Tharatorn encadeia uma diatribe anticapitalista após a outra, todas certeiras, tomando muito cuidado para que o tiro não saia pela culatra e acabe por infantilizar seu complexo anti-herói. Naracha Chanthasin empresta esse ar maldito ao personagem central, um homem provedor que quer oferecer o melhor à filha e à esposa. O melhor, a despeito de sua vontade, é um caminho tortuoso, que ele não consegue vencer.

O diretor alinhava a primeira sequência ao coração do filme, quando Toh estreita relações com Petch, um colega ainda mais ambicioso — e nada intimidado com um eventual processo ou a cadeia —, e fica convencido a desviar e trinta milhões de bahts, cerca de cinco milhões de reais, de uma cliente em situação anômala. Um certo artificialismo toma conta quando Tharatorn inclui a máfia no leito da narrativa, recurso fácil e previsível no gênero e nas produções tailandesas; o desempenho de  Chanthasin e Vachirawich Wattanapakdeepaisan expia quaisquer pecadilhos do longa, delirante e cru em igual medida. 

Filme:
Depois que Morri, Todos me Amam

Diretor:

Nithiwat Tharatorn

Ano:
2025

Gênero:
Drama/Suspense

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

Recent Posts

Azul fecha patrocínio com a Seleção Brasileira até 2030

No movimento que reforça sua identidade nacional, a parceria entre Azul e Seleção Brasileira marca…

41 minutos ago

Brasil fecha 2025 com mais de 1,3 milhão de trabalhadores domésticos

O trabalho doméstico com vínculo formal registrou 1.302.792 vínculos ativos, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira…

42 minutos ago

5 opções divertidas para o fim de semana

O fim de semana é curto, com isso, nem sempre sobra tempo para acompanhar séries…

57 minutos ago

Pela 5ª vez seguida, Brasil recebe primeiro voo de Airbus A330neo da ITA Airways

Aeronave entregue em Toulouse realiza primeiro voo comercial para o Galeão, consolidando o Brasil como…

2 horas ago

Lula quer incluir inadimplentes do FIES em pacote contra endividamento

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta sexta-feira (10) que deverá…

2 horas ago

Fábio Mitidieri lidera intenções de voto em Sergipe, aponta Instituto França

Levantamento do Instituto França, registrado no TSE, mostra governador à frente em cenários estimulado e…

2 horas ago