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Um dos melhores filmes de 2025 acaba de chegar à Netflix — e ele é tailandês

Independentemente do contexto social em que se insiram, dramas de família sempre têm o condão de transportar o público para uma realidade que ele já conhece em algum grau. Segredos, disputas, culpa e ressentimentos aproximam gente que nunca virá a se conhecer, e esses relatos nos ajudam a lidar melhor com expectativas frustradas e a batalhar pela  liberdade que todos merecemos. Por essa razão, cada gesto, silêncio e ruptura jamais despenca da nuvem das contingências, gratuitamente, mas têm explicação e propósito, como se o universo quisesse lembrar-nos de alguma coisa. Os apuros de uma mãe solo e suas duas filhas lutando pela sobrevivência depois de uma adversidade é só o começo em “A Garota Canhota”, uma trama engenhosa e apaixonada sobre um amor submetido aos tantos ultrajes da pobreza, do subemprego e do descaso, mas que resiste como pode. Shih-Ching Tsou conduz seu filme por emaranhados de pequenas tragédias, desenvolvidos com sutileza, mas sem meias-palavras.

Shu-Fen deixa o interior e migra para Taipei, buscando um recomeço a ser esclarecido na virada do primeiro para o segundo ato. Na capital de Taiwan, ela e as filhas, I-Ann e I-Jing, instalam-se num apartamento minúsculo no centro da cidade, próximo à feira onde Shu-Fen aluga uma barraca na qual pretende vender refeições, e assim vai se desdobrando o enredo, que costura tomadas curtas às expressões das atrizes, sóbrias, porém vivazes. A taiwanesa-americana Tsou é uma velha colaboradora de Sean Baker, o diretor de “Anora” (2024), que assina com ela o caudaloso roteiro, e a dupla leva a termo o lúdico exercício de enxergar a rotina pesada num lugar hostil pelos olhos de I-Jing, a caçula, que, claro, nem sempre consegue perceber a infelicidade das outras duas em todos os seus pormenores, mas é bastante perspicaz. Shu-Fen vai ganhando a preferência da freguesia e se estabelecendo, contando também com a amizade de Johnny, o muambeiro vivido por Teng-HuiHuang; entretanto nem tudo obedece a essa mesma lógica.

As agruras das três ganham tintas mais ou menos sombrias, que ficam mais evidentes depois que Shu-Fen sabe que o ex-marido atravessa uma doença terminal. As reações dela e de I-Ann são diametralmente opostas, ideia que Tsou faz crescer numa cena tão despretensiosa quanto vívida, dando a Janel Tsai e Ma Shih-yuan farto material para garantir o excelente padrão até o desfecho. A diretora concentra-se numa sequência breve para justificar o título, pouco mais que uma metáfora para falar acerca do desajuste social a pairar sobre as mulheres na Ásia, mas não precisava. A espontaneidade de Nina Yenão permite que vislumbremos um futuro rosicler para I-Jing, sua irmã e sua incansável mãe.

Filme:
A Garota Canhota

Diretor:

Shih-Ching Tsou

Ano:
2025

Gênero:
Drama

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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