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Um dos filmes mais belos do cinema mundial nos últimos 5 anos está no Prime Video

O que é mais importante: confrontar o passado ou entendê-lo? A resposta parece claríssima, uma vez que as duas peças têm de se juntar para que uma delicada engrenagem não pife. Frank Bledsoe, o personagem-título de “Tio Frank”, parece já ter deixado para trás esse limbo existencial, mas, como sói acontecer, o passado volta num daqueles momentos de aterradora vulnerabilidade. O drama de família elaborado por Alan Ball desliza num excêntrico road movie, durante o qual revelações preparam um acerto de contas que o tempo só conseguiu mitigar um pouco. O espectador adivinha muito do que vem, mas ainda assim o vaivém narrativo proposto por Ball reserva surpresas, numa sintonia fina entre fórmula e arrojo.

A arte do encontro

A narradora de “Tio Frank” é Beth, a sobrinha de catorze anos, que nos conta sobre uma reunião de família em Creekville, cidadezinha da Carolina do Sul de onde Frank saíra rumo a Manhattan, onde agora é professor de literatura na Universidade de Nova York. Parece que aquela tinha sido a primeira vez que Beth reparara que tinha muito em comum com esse parente tão próximo e tão distante, e 1969 é o começo de sua virada, mesmo que ela precise de mais algum tempo até tornar-se quem é. O roteiro de Ball concentra-se nas impressões que Beth troca com o tio, as preferências literárias em comum, um exemplar de “O Diário de Anne Frank” deixado por ele para a sobrinha. Quatro anos mais tarde, ela passa no vestibular e vai para a NYU, onde, claro, pretende estreitar a relação com Frank, apesar de meter os pés pelas mãos.

Outros afetos

Beth fica sabendo de uma festa na casa de Frank e baixa no apartamento dele acompanhada de Bruce, um garoto que conhecera no refeitório da universidade. É nessa noite que ela descobre que Frank não é o companheiro de Charlotte, a lésbica que se especializou em se passar por namorada dos amigos gays, e vive maritalmente com Wally, que deixou a Arábia Saudita por motivos análogos aos de Frank — frisando o detalhe de homossexuais serem condenados à forca em sua pátria. Ball destrincha esses tipos humanos complexos e encantadores entrando em suas questões mais íntimas, até uni-los numa subtrama manjada, mas poderosa. Quando morre Daddy Mac, o patriarca dos Bledsoe, Frank e Beth voltam a Creekville mais uma vez, e Wally também vai, num dos lances mais engraçados e originais. Paul Bettany ameniza e realça as angústias de Frank, ajudado por Sophia Lillis e Peter Macdissi, e os três mantêm esse ritmo deliciosamente caótico, sem dúvida todo o sal que há aqui.

Filme:
Tio Frank

Diretor:

Alan Ball 

Ano:
2020

Gênero:
Comédia/Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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