Quando duas pessoas têm poder suficiente para governar um país inteiro, qualquer gesto vira estratégia, qualquer silêncio vira ameaça. É exatamente esse jogo delicado que move “Duas Rainhas”. O filme dirigido por Josie Rourke parte de um conflito histórico que parece simples à primeira vista, mas se revela muito mais complexo conforme a história avança. Mary Stuart (Saoirse Ronan) retorna à Escócia depois de anos vivendo na França e encontra um reino dividido, desconfiado e politicamente instável.
Jovem, católica e com uma formação totalmente moldada pela corte francesa, ela precisa convencer nobres escoceses de que tem autoridade para governar. Ao mesmo tempo, sua própria existência incomoda profundamente a prima Elizabeth I (Margot Robbie), que ocupa o trono da Inglaterra e sabe que muitos consideram Mary uma possível herdeira legítima daquela coroa.
O que começa como uma tensão distante rapidamente se transforma em um jogo político cheio de cautela e cálculo. Mary tenta reconstruir seu poder dentro da Escócia, negociando com líderes locais, enfrentando resistências religiosas e tentando manter aliados por perto. A cada decisão, ela precisa provar que é mais do que um símbolo dinástico. Precisa mostrar que consegue governar de fato. O problema é que qualquer passo mais ousado pode ser interpretado como ameaça direta ao trono inglês.
Do outro lado, Elizabeth observa tudo com enorme atenção. A rainha inglesa governa cercada por conselheiros e pressões políticas, sabendo que sua posição depende de estabilidade. A simples possibilidade de Mary se tornar uma figura de união entre católicos europeus já representa um risco. Margot Robbie interpreta Elizabeth com uma mistura interessante de firmeza e insegurança política. Ela é poderosa, mas também sabe que governa em terreno delicado, onde alianças mudam rápido e onde cada decisão pode gerar consequências enormes.
Enquanto isso, Mary tenta consolidar sua posição dentro da própria corte. Parte da nobreza escocesa aceita sua liderança, mas outra parte prefere manipulá-la ou enfraquecê-la. É nesse cenário que entram figuras próximas a ela, como Lord Darnley (Jack Lowden), cuja presença acaba influenciando diretamente o ambiente político ao redor da rainha. Em cortes reais, relacionamentos pessoais nunca são apenas pessoais. Eles alteram equilíbrio de poder, provocam disputas e despertam ambições.
O filme acompanha esse período como uma sucessão de decisões difíceis. Mary precisa mostrar força sem provocar revolta. Elizabeth precisa conter a rival sem transformá-la em vítima política. Entre cartas diplomáticas, reuniões de conselho e rumores espalhados pela Europa, as duas rainhas passam a reagir constantemente uma à outra, mesmo estando em países diferentes.
Um dos méritos de “Duas Rainhas” está justamente nesse retrato de poder exercido em ambientes fechados. Não é uma história dominada por batalhas épicas ou confrontos diretos. A tensão nasce de conversas em salas de conselho, de alianças que parecem sólidas mas podem ruir a qualquer momento e de decisões que precisam equilibrar religião, política e sobrevivência no trono.
Saoirse Ronan interpreta Mary Stuart com uma energia muito direta, quase impulsiva em alguns momentos. A personagem acredita na própria legitimidade e tenta usar isso para conquistar respeito entre os nobres. Já Margot Robbie constrói Elizabeth de forma bem diferente. Sua rainha observa mais, calcula mais e raramente demonstra tudo o que está pensando. Essa diferença de temperamento ajuda a criar um contraste interessante entre as duas.
Mesmo quando as personagens não estão na mesma cena, a presença de uma pesa sobre a outra. Cada escolha política feita em Edimburgo pode gerar reação em Londres. Cada decisão inglesa pode alterar o destino da rainha escocesa. O roteiro explora bem essa dinâmica de influência mútua, mostrando como duas líderes jovens acabam presas em um conflito que vai muito além da rivalidade familiar.
“Duas Rainhas” funciona como um retrato de como o poder pode ser solitário e perigoso, especialmente quando ele é disputado por pessoas que carregam direitos dinásticos, pressões religiosas e ambições políticas gigantescas nas costas. O filme transforma essa rivalidade histórica em um drama intenso sobre liderança, sobrevivência e a dificuldade de governar quando qualquer decisão pode mudar o destino de um reino inteiro.
Filme:
Duas Rainhas
Diretor:
Josie Rourke
Ano:
2018
Gênero:
Biografia/Drama/História
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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