Dirigido por Thea Sharrock, com Emilia Clarke, Sam Claflin, Janet McTeer e Charles Dance, “Como Eu Era Antes de Você” começa numa pequena cidade inglesa, onde Louisa Clark perde o emprego no café e aceita trabalhar na casa dos Traynor. Tudo muda de endereço. Ali ela passa a acompanhar Will, ex-banqueiro rico e aventureiro que ficou tetraplégico depois de ser atingido por uma moto, e agora vive cercado pelos cuidados dos pais, pela rotina médica e por um silêncio que ocupa os cômodos antes mesmo de ele abrir a boca.
A diferença entre os dois aparece logo. Lou chega à mansão com saias estampadas, cores fortes e um jeito expansivo que destoam da sobriedade da casa, enquanto Will responde com ironia, impaciência e um ar de quem rejeita qualquer tentativa de simpatia. Sharrock organiza esse primeiro contato em corredores amplos, quartos quase imóveis e janelas abertas para uma cidade da qual ele parece separado, e faz da distância entre a funcionária endividada e o homem rico, preso à cadeira, a marca visível de cada conversa.
Emilia Clarke carrega boa parte do peso emocional no rosto, no tempo das reações e na maneira como Lou hesita, insiste, se constrange e volta a falar. Ela segura muita coisa. A personagem chega à casa dos Traynor pressionada pelo dinheiro curto da família e logo percebe que o trabalho não será apenas servir chá, empurrar a cadeira ou preencher horas mortas, porque ali existe uma tristeza antiga, instalada, que torna qualquer gesto de cuidado um pequeno atrito.
Sam Claflin trabalha noutra chave, mais seca, e a lembrança da vida anterior de Will, feita de viagens, esporte e dinheiro, pesa sobre cada cena passada na casa ou nos passeios que Lou tenta organizar. Há um prazo de seis meses. Quando ela descobre que esse limite está ligado ao plano dele de ir à Suíça, o romance deixa de ser apenas a aproximação entre duas pessoas improváveis e passa a correr contra um relógio muito concreto, que também afeta a vida fora dali, inclusive o namoro cada vez mais gasto com Patrick.
É nesse ponto que “Como Eu Era Antes de Você” tenta manter leveza, humor e tristeza ao mesmo tempo. Lou passa a organizar saídas e viagens para tirar Will da apatia, aceita acompanhá-lo ao casamento de Alicia, a ex-namorada, e transforma a dedicação cotidiana numa tentativa íntima de mostrar que ainda existe prazer possível fora do quarto, da cadeira e da rotina de cuidados. O filme às vezes adoça demais esse percurso, como se o brilho das roupas, a graça de Lou e o apelo romântico do casal pudessem aliviar um assunto que continua duro, mesmo quando os dois sorriem.
Ainda assim, há algo mais firme do que o simples apelo sentimental. Quando Lou sai da órbita do café, da família e do namorado ciumento e entra no universo cosmopolita de Will, a história ganha corpo porque a mudança dela tem custo, tem desejo e tem limite, e a viagem de luxo amplia esse contraste sem apagar o peso do prazo já marcado. Sharrock prefere muitas vezes o encanto ao desconforto, mas a lembrança que fica não é a de uma frase de efeito, e sim a de uma cadeira de rodas diante do mar, com vento salgado no rosto e tecido batendo devagar.
Filme:
Como Eu Era Antes de Você
Diretor:
Thea Sharrock
Ano:
2016
Gênero:
Drama/Épico/Romance
Avaliação:
9/10
1
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Amanda Silva
★★★★★★★★★★
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