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Turismo mira 2026 com foco em segurança jurídica, competitividade e fortalecimento institucional; veja pleitos das entidades

Dados indicam que rotas alternativas e cidades secundárias devem ganhar relevância no cenário turístico brasileiro em 2026 (Freepik)

Por Rafael Torres e Felipe Abílio

O setor brasileiro de turismo entra em 2026 com uma agenda robusta de reivindicações e avanços planejados por suas principais entidades representativas. Entre outras, Abracorp, Abrafesta, Abear, Abav Nacional, Abih Nacional e Unedestinos compartilham pautas comuns: defesa de um ambiente regulatório mais claro, segurança jurídica, competitividade, valorização profissional e maior integração com o poder público. Ao mesmo tempo, apontam temas que ficaram pendentes em 2025 e serão retomados com prioridade no próximo ciclo.

Abracorp: foco na reforma tributária e no fortalecimento do turismo corporativo

Após concluir 100% das entregas previstas para 2025, incluindo o novo site, o novo BI e o programa Parceiro de Valor, a Abracorp projeta um 2026 marcado por articulação intensa junto à Receita Federal. A entidade busca garantir que a reforma tributária não aumente a carga sobre o agenciamento de viagens, considerado um ponto crítico para o setor corporativo.

Além disso, a entidade ampliará sua estratégia de eventos com dois encontros anuais, Fórum Mais no primeiro semestre e Fórum Abracorp no segundo, reforçando a visibilidade do mercado. Melhorias no BI e o desenvolvimento de APIs de integração também estão no planejamento, assim como a institucionalização do Parceiro de Valor como evento anual. A entidade reforça ainda que dois em cada três passageiros de avião no Brasil viajam a trabalho, o que evidencia o peso econômico do turismo corporativo.

“Seguimos firme, continuaremos sempre brigando para trazer luz do governo sobre o agenciamento e ressaltando a importância do turismo corporativo”, afirma Douglas Camargo, diretor executivo da Abracorp.

Abav Nacional: valorização do agente de viagens, avanços internacionais e temas pendentes

Para a Abav Nacional, 2025 consolidou a força da entidade e a expansão de sua representatividade. A Abav Expo manteve o posto de maior feira de turismo da América Latina, totalizando mais de 38 mil participantes, centenas de reuniões de negócios e quase 90 novos expositores. A internacionalização também ganhou impulso com missões comerciais, presença em grandes feiras globais e destaque no cenário mundial, como na ONU Turismo.

No campo institucional, a Abav intensificou o diálogo legislativo e técnico, defendendo isenção total do IRRF sobre remessas internacionais e o ajuste da responsabilidade solidária das agências, pauta que avançou menos do que o previsto em 2025 e segue como prioridade para 2026. A entidade também seguirá empenhada na formação profissional pelo ICCAbav e na defesa de políticas públicas que assegurem competitividade, previsibilidade e segurança jurídica para o setor.

Segundo a presidente da Abav Nacional, Ana Carolina Medeiros, “a entidade seguirá atuando com diálogo, dados e articulação, contribuindo para a construção de políticas públicas que fortaleçam as agências de viagens, estimulem o turismo nacional e internacional e ampliem as oportunidades de negócios em todo o país”.

Abih Nacional: modernização, marco legal e regulação do aluguel por temporada

A hotelaria brasileira entra em 2026 com uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento do marco legal do turismo, à simplificação regulatória e ao equilíbrio competitivo. Para a Abih Nacional, três temas-chave ficaram estagnados em 2025 e precisam de avanço imediato: regulamentação tributária pós-reforma, regulação nacional das plataformas de aluguel por temporada, apontadas como concorrência desleal, e medidas que reduzam burocracia e custos operacionais, destaca Manoel Linhares, presidente da entidade.

A entidade também pretende ampliar programas de capacitação, modernização e acesso a financiamento, especialmente para pequenos e médios hotéis. A entrada da Abih na ONU Turismo abre espaço para maior projeção internacional da hotelaria brasileira, além da criação de indicadores nacionais de desempenho e da busca por maior alinhamento das políticas de turismo entre União, estados e municípios. A transição para a nova gestão, agora liderada por Sérgio Gaspar, assegura continuidade à agenda institucional construída nos últimos anos.

Unedestinos: expansão internacional e fortalecimento do MICE brasileiro

A Unedestinos projeta 2026 como um ano de expansão e integração entre os destinos turísticos brasileiros, com forte foco no segmento MICE, eventos, congressos e incentivos. A realização da 10ª edição do UneCongresso, ainda com sede a ser definida, será um dos destaques do calendário.

A entidade também ampliará sua presença internacional por meio de roadshows realizados em parceria com a Embratur, originalmente previstos para 2025, mas que se consolidam no próximo ano, e investirá mais na promoção digital dos destinos associados. Outro projeto estruturante é o portal MICE Brasil, desenvolvido com o IBICT, que reunirá informações completas sobre espaços, serviços, logística e hospedagem, facilitando a conexão entre destinos e organizadores de eventos, explica Toni Sando, presidente da Unedestinos.

Um 2026 de articulação intensa e busca por avanços estruturantes

Embora cada entidade possua prioridades específicas, há convergências claras entre os pleitos do setor para 2026:

  • Segurança jurídica para agências, hotéis e operadores
  • Ambiente regulatório equilibrado, incluindo temas tributários e modelos de concorrência
  • Fortalecimento institucional e integração entre atores públicos e privados
  • Expansão internacional, tanto na promoção dos destinos quanto na inserção do Brasil nos calendários globais
  • Valorização profissional e investimentos em capacitação
  • Melhoria da competitividade e redução de custos e burocracias

Com agendas estruturadas e crescente articulação junto ao poder público, as entidades esperam que 2026 seja um ano de avanços concretos após temas relevantes terem ficado aquém do esperado em 2025. O setor de turismo, que segue em expansão e representa um dos pilares da economia nacional, aposta em diálogo contínuo e planejamento estratégico para fortalecer sua posição no Brasil e no mundo.

Braztoa: reforça pleitos por competitividade, inovação e ambiente regulatório mais favorável

A Braztoa projeta um 2026 desafiador e estratégico para o turismo brasileiro, mantendo e reforçando seus pleitos estruturantes voltados à competitividade, à criação de um ambiente favorável para os operadores e ao fortalecimento do ecossistema das operadoras de turismo. Segundo Marina Figueiredo, presidente executiva da entidade, temas como sustentabilidade e inovação continuam no centro da agenda, ao lado de demandas que avançaram menos do que o esperado em 2025 ou que, por sua natureza, exigem continuidade no próximo ano.

Entre os principais pontos de atenção estão a carga tributária e os encargos sobre o setor, somados à dependência dos desdobramentos da Reforma Tributária e aos impactos esperados do contexto eleitoral. A Braztoa também observa com preocupação os custos crescentes de adequação a novas exigências e as repercussões de políticas e regulamentações específicas do turismo. Esse conjunto de fatores coloca o ambiente regulatório no foco das discussões, com potenciais efeitos diretos sobre a competitividade dos operadores.

O cenário projetado para 2026 é de volatilidade, desafios e incertezas, em um ambiente politicamente sensível que exigirá resiliência, prudência e alta capacidade de adaptação por parte das empresas do setor. Marina destaca que, ao mesmo tempo, a transformação tecnológica se acelera e passa a ocupar papel central. A tecnologia, especialmente no campo da inteligência artificial, deixa de ser mero suporte e se consolida como pilar estratégico, integrando-se de forma definitiva à gestão e à jornada das viagens.

Esse avanço convive com a necessidade crescente de relações mais humanas e seguras, estimulando o setor a buscar equilíbrio entre automação e atendimento humano, sempre com foco na confiança e no cuidado. Com isso, a resiliência se firma como competência decisiva para os operadores, que deverão manter estabilidade em contextos instáveis, adaptar modelos de negócio com agilidade e inovar continuamente para se diferenciar.

Diante desse ambiente, a Braztoa reforça seu compromisso de oferecer suporte técnico e ampliar a capacidade analítica da entidade e de seus associados. O objetivo é fortalecer a resiliência dos operadores e prepará-los para responder com rapidez às transformações, desafios e oportunidades que 2026 deverá trazer.

Abear: crescimento inclusivo, redução de custos e segurança jurídica para a aviação

A aviação comercial deve registrar recorde de passageiros transportados em 2025, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), e organizar as ações para 2026. Até outubro, 106,8 milhões de passageiros embarcaram em voos domésticos e internacionais, alta de 9,5% em relação a 2024 e de 9% frente a 2019, período pré-pandemia. A expectativa é que o total se aproxime de 130 milhões até o fim do ano. Para o presidente da entidade, Juliano Noman, o principal desafio do setor para 2026 é o crescimento inclusivo.

De acordo com Noman, a democratização do transporte aéreo passa pela redução dos custos da indústria. Entre os pontos citados estão a reforma tributária, que pode elevar em até três vezes a carga de impostos sobre o setor, o aumento do IOF sobre remessas ao exterior, de 0,38% para 3,5%, e o escalonamento do IRPF incidente sobre o leasing de aeronaves, que pode chegar a 15% em 2027. O setor aéreo tem cerca de 60% de seus custos atrelados ao dólar.

O presidente da Abear destacou ainda o diálogo com o governo, citando a estruturação das linhas de financiamento do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC), que disponibiliza R$ 4 bilhões às companhias aéreas, embora ainda haja obstáculos no acesso aos recursos.

Noman também alertou para os elevados índices de judicialização no setor. O Brasil concentra 95% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo, com custo anual estimado em R$ 1,4 bilhão. A Abear espera que a decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu processos relacionados a atrasos e cancelamentos de voos motivados por eventos meteorológicos contribua para mitigar esse cenário.

Abrafesta: segurança jurídica, padronização e profissionalização do setor de eventos

O acúmulo de desafios enfrentados pelo setor de eventos em 2025, especialmente no campo regulatório, nos custos operacionais e na qualificação de mão de obra, leva a Abrafesta a projetar um 2026 voltado à retomada de pautas estruturantes e à busca por maior competitividade, previsibilidade e segurança jurídica às empresas prestadoras de serviços do setor de eventos.

Entre as prioridades estão o aprimoramento das regras de tributação, com atenção ao enquadramento de IBS/CBS, adequações no ISS e à responsabilidade solidária, a reativação das tratativas trabalhistas impactadas pela Portaria 3.665/2023 e a construção de uma proposta para o enquadramento do MEI nas atividades de eventos.

A entidade também atuará na consolidação de um modelo nacional de padronização de licenças e alvarás, por meio de documentos técnicos e diretrizes de referência voltados a municípios e estados, com foco na redução de burocracias, definição de critérios uniformes e maior previsibilidade para organizadores e empresas. Paralelamente, a Abrafesta retoma iniciativas de profissionalização, como programas de certificação técnica, capacitação contínua e projetos ligados a demandas reais de trabalho, além da defesa de uma legislação específica para segurança e fiscalização do setor, com padrões mínimos nacionais e alinhamento técnico entre entes públicos. “Os aprendizados de 2025 reforçam a urgência de marcos regulatórios consistentes e políticas públicas baseadas nas especificidades do setor de eventos”, afirma Ricardo Dias, presidente da Abrafesta.

Abrape: padronização, infraestrutura e previsibilidade para grandes eventos

Recordes de público, agendas internacionais lotadas e festivais cada vez maiores colocaram o setor de entretenimento brasileiro em evidência em 2025 e também expuseram gargalos que precisam ser enfrentados. Para 2026, a Abrape concentra sua agenda na revisão de padrões mínimos de infraestrutura, segurança e licenciamento para grandes eventos.

A entidade defende diretrizes mais claras para banheiros, circulação, acessibilidade, áreas de hidratação, sombreamento e controle de fluxo, além do fortalecimento de modelos de autocertificação e auditorias independentes como instrumentos para aumentar a transparência e reduzir improvisos. Outro ponto central é a construção de planos obrigatórios de mobilidade, com definição objetiva de responsabilidades entre poder público e organizadores, incluindo transporte coletivo reforçado e rotas planejadas de dispersão.

A padronização de taxas municipais e dos processos de licenciamento segue como um dos principais pleitos para 2026. A Abrape avalia que a falta de uniformidade entre cidades compromete o planejamento e encarece a produção, especialmente de turnês internacionais, e defende diretrizes nacionais com faixas de cobrança e nomenclaturas unificadas, inspiradas em modelos de simplificação empresarial.

A entidade também aponta como prioritário o avanço na regulamentação de protocolos climáticos, com critérios objetivos para suspensão de eventos em situações de calor extremo, ventos fortes ou tempestades, além da integração obrigatória e nacionalizada entre produtores e Defesa Civil nos planos de contingência.

Na agenda econômica, a Abrape pretende retomar a defesa de uma linha de crédito específica para o setor de eventos, considerando o alto investimento antecipado, o ciclo produtivo próprio e os riscos extraordinários, como clima e logística. A entidade defende condições diferenciadas, com juros mais baixos, prazos mais longos, carência adequada e a criação de um fundo garantidor setorial para incluir pequenas e médias produtoras. Para 2026, também entra no radar a correção de gargalos logísticos observados em 2025, como liberação alfandegária de equipamentos, coordenação entre aeroportos e produtores, harmonização regulatória entre municípios e aprimoramento da infraestrutura e da mobilidade urbana nos locais de eventos.



Fonte

Redação

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