O crescimento recente do turismo internacional no Brasil, que atingiu oito milhões de visitantes entre janeiro e novembro, reacendeu o debate sobre como expandir o setor sem repetir modelos de exploração predatória vistos em destinos superlotados ao redor do mundo. No evento “Caminhos do Brasil – Turismo”, realizado ontem (26) no Rio de Janeiro, especialistas destacaram que o avanço da atividade precisa estar ancorado ao desenvolvimento sustentável.
Durante a conversa, foi levantada a importância de investimentos em infraestrutura para alavancar a atividade no país. Também foi debatido o papel da qualificação profissional e maior cuidado com os povos originários, sobretudo após a realização da COP30 na Amazônia, que ampliou a visibilidade global sobre o tema.
Para A secretária-executiva do ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, o setor deixou de ser visto apenas como uma vitrine cultural e passou a ocupar um papel econômico estratégico. A pasta lembra que o G20 reconheceu formalmente, pela primeira vez, o turismo como instrumento de redução de desigualdades, uma diretriz que agora orienta políticas públicas brasileiras. “Isso é um ganho fenomenal que fica não só para os países que fazem parte do bloco, mas para o mundo. Construir políticas públicas em que isso seja enaltecido é o principal objetivo, que foi ainda mais consolidado na COP30”, disse.
O seminário coincidiu com a semana em que o ministério do Turismo e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) divulgaram que o país recebeu oito milhões de visitantes estrangeiros, de janeiro a 24 de novembro, e deve alcançar nove milhões até o fim de 2025. Os números representam o melhor ano do turismo desde que os dados começaram a ser contabilizados, em 1974. Em 2024, foram 6,7 milhões.
A meta do governo é elevar a participação do turismo no PIB, que já representa cerca de 8%, para dois dígitos, acompanhada de um aumento gradual do fluxo internacional, desde que conduzido de maneira construtiva, organizada e sustentável: “Eu não quero sair de 8 milhões para 15 milhões em um ano”, afirmou Lopes.
Representantes do setor privado apontam que a recuperação pós-pandemia reforçou a percepção de que o turismo gera resultados rápidos em emprego e renda. Ana Carolina Dias, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), conta que o número de turistas internacionais estava “engatado” em 6 milhões há anos. “As pessoas viram que o turismo deu um resultado rápido economicamente depois do que nós passamos. O turismo dá rentabilidade, resultado e empregabilidade”, completa.
Porém, Ana Carolina alerta: o modelo de turismo de massa está em declínio global. A avaliação é de que, diante dos impactos ambientais e sociais, cresce a pressão para que destinos adotem limites e critérios de sustentabilidade. Nesse cenário, o Brasil, com ecossistemas sensíveis e comunidades tradicionais, tem responsabilidade redobrada. “Nós estamos saindo de uma COP30 em que estamos falando e vendo o reflexo da necessidade de cuidar do nosso planeta. O turismo tem muita contribuição, positiva ou negativa, e a contribuição negativa nós não queremos.”
O presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação e diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Alexandre Sampaio, apontou o papel de eventos internacionais e de negócios para o crescimento do turismo nos últimos anos. “Não só as capitais, mas cidades periféricas com potencial estão investindo em turismo de eventos”, disse.
A qualificação da mão de obra surge como um ponto crítico. Com o mercado de trabalho aquecido, o diretor da CNC afirma que será necessário rever modelos de jornada e investir na formação de profissionais que entendam tanto boas práticas ambientais quanto demandas contemporâneas de hospitalidade. “O empresariado tem que rever esse cenário, já que o colaborador está exigindo uma condição de trabalho que lhe permita usufruir da família e do lazer.”
Lopes reforça que a capacitação tem papel central na construção de uma cultura de responsabilidade ambiental dentro da própria cadeia turística. “A partir do momento em que a gente faz esse cenário, a gente também se faz ator. A gente tem que sentar à mesa e não só dizer que é um ambiente lindo. A gente tem que dizer quais são as boas práticas que temos.”
Outro ponto destacado é o peso crescente do turismo de negócios e eventos, que impulsiona cidades além das capitais e demanda investimentos contínuos em infraestrutura. Já em relação à segurança pública, analistas reconhecem que episódios recentes geraram apreensão, mas avaliam que o impacto é mitigado quando o país consegue valorizar suas vantagens competitivas e melhorar a experiência do visitante. “Se a gente desenvolver e ressaltar nossas vantagens comparativas, superamos esse processo”, disse Sampaio.
Com informações de Paula Martini e Jessica Alexandra, Valor Econômico
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