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Tragédia viking que inspirou Shakespeare a escrever Hamlet está na Netflix

Perder o pai diante dos próprios olhos e crescer alimentando um juramento de vingança é o tipo de ferida que não fecha, só se aprofunda com o tempo. Em “O Homem do Norte”, Robert Eggers transforma essa promessa em combustível para uma tragédia brutal e hipnótica, acompanhando Amleth, vivido por Alexander Skarsgård, desde a infância marcada pelo assassinato do rei Horvendill (Ethan Hawke) até a vida adulta moldada pela violência. Quando o tio Fjölnir (Claes Bang) mata o irmão e toma o trono, além de levar a rainha Gudrún (Nicole Kidman), o menino foge e jura que voltará para salvar a mãe e matar o usurpador. Anos depois, já um guerreiro temido, ele encontra uma vidente que reacende a promessa e indica que o momento de agir chegou.

O filme acompanha esse retorno como uma descida consciente ao inferno pessoal. Amleth não volta como príncipe, mas como alguém disposto a perder tudo para cumprir o que prometeu. Ele se infiltra no território onde Fjölnir vive agora, num cenário duro e isolado da Islândia do século 10, e passa a conviver com aqueles que deveria destruir. A tensão não vem de reviravoltas fáceis, mas da proximidade constante entre vítima e algoz. Skarsgård compõe um protagonista quase animal, movido por instinto e dor, enquanto Claes Bang constrói um antagonista que mistura arrogância e medo, sem caricatura. Nicole Kidman, como Gudrún, traz uma presença inquietante, sugerindo que o passado daquela família guarda mais camadas do que a lembrança infantil de Amleth permite.

Eggers filma batalhas e rituais com intensidade física, mas o que realmente marca é o peso das decisões. Cada passo de Amleth aproxima o confronto e aumenta o custo emocional. Não há romantização da vingança; há suor, lama, sangue e silêncio. A fantasia surge em visões e profecias que parecem guiar o herói, mas nunca anulam a responsabilidade de suas escolhas. “O Homem do Norte” é grandioso na escala e íntimo na dor, um épico que fala sobre destino, mas sobretudo sobre obsessão. Ao evitar atalhos e manter o foco na jornada do personagem, o filme sustenta a tensão até o fim, lembrando que algumas promessas, quando finalmente cumpridas, cobram um preço alto demais.

Filme:
O Homem do Norte

Diretor:

Robert Eggers

Ano:
2022

Gênero:
Ação/Drama/Fantasia/Tragédia

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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