O Tribunal de Justiça de Mato Grosso pagou valores extras em dezembro a magistrados da Corte que variaram de R$ 1.097,49 a R$ 123.217,66, segundo planilha elaborada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado (Sinjusmat) com base em dados da própria corte.
Ao todo, os pagamentos somaram R$ 28.485.472,21, distribuídos a 323 magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em dezembro de 2025, conforme o levantamento do sindicato.
A planilha elaborada pelo Sinjusmat indica que desembargadores afastados de suas funções também receberam valores extras no mês. Entre os casos está o desembargador Sebastião de Moraes Filho, que recebeu R$ 54.284,96, após ter sido aposentado compulsoriamente em novembro, ao completar 75 anos, idade-limite prevista na legislação. Consta ainda o pagamento de R$ 54.184,54 ao desembargador João Ferreira Filho, que também estava afastado do exercício regular do cargo no período.
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O pagamento foi viabilizado por meio de um crédito suplementar de R$ 40 milhões disponibilizado pelo governador Mauro Mendes (União) ao Judiciário, por decreto publicado em dezembro.
A queixa do sindicato se baseia em um artigo do regimento interno do TJ-MT que estabelece critérios de proporcionalidade para a quitação de despesas de exercícios anteriores. Pela regra, 30% do montante disponível vinculado às despesas com pessoal deve ser destinado ao pagamento de créditos de magistrados e 70% aos servidores. Já no caso de verbas de custeio destinadas a créditos de natureza indenizatória, o porcentual se inverte: 70% para magistrados e 30% para servidores.
Diante desse contexto, o Sinjusmat levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alegando falta de transparência na divulgação dos valores pagos individualmente. Documentos obtidos pelo Estadão mostram que o sindicato reiterou formalmente o pedido de acesso às informações após o TJ-MT não cumprir o prazo de 60 dias informado ao conselho.
O Sinjusmat sustenta ainda que a liberação de um crédito suplementar de R$ 40 milhões, autorizada por decreto do governador, amplia o risco de novos pagamentos sem transparência. Diante disso, o sindicato pediu ao CNJ a concessão de medida liminar para suspender repasses administrativos a magistrados até que toda a documentação solicitada seja integralmente divulgada.
Em um dos ofícios, a entidade deu prazo de 48 horas para que o tribunal disponibilizasse a documentação detalhada com os valores individualizados pagos a magistrados e servidores entre 2019 e 2024, sob pena de continuidade do procedimento administrativo no CNJ. Em outro documento, pediu o desarquivamento de processo interno, alegando que a apuração foi encerrada sem a apresentação dos dados solicitados.
Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso afirmou que os pagamentos de subsídios, férias indenizáveis, décimo terceiro salário e licenças-prêmio a magistrados são realizados em conformidade com a Constituição Federal, a legislação vigente e as normas do CNJ. Segundo o tribunal, as verbas seguem critérios legais objetivos, estão sujeitas a controle interno e externo e são divulgadas com transparência nos canais oficiais da instituição.
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