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Thriller político com Ben Affleck e John Goodman que vai elevar a tensão e te prender até os segundos finais, na Netflix

Quando a diplomacia falha e a rua vira campo de batalha, improvisar pode ser a única saída possível. Em “Argo”, Ben Affleck dirige e também interpreta Tony Mendez, o especialista da CIA que recebe uma missão improvável: retirar seis diplomatas americanos escondidos em Teerã após a invasão da embaixada dos Estados Unidos em 1979. Ao lado de Bryan Cranston, como o supervisor Jack O’Donnell, e John Goodman, como o experiente maquiador John Chambers, Affleck conduz um thriller político que transforma um episódio histórico quase inacreditável em suspense puro, sustentado por decisões práticas e riscos muito concretos.

Tudo começa com o colapso da segurança na capital iraniana. Enquanto manifestantes tomam a embaixada, seis funcionários conseguem escapar e se refugiam na casa do embaixador canadense. Eles passam a viver sob silêncio absoluto, cortinas fechadas e medo constante de uma batida inesperada. Cada dia escondido aumenta a tensão, porque a nova autoridade revolucionária intensifica buscas e pressiona por respostas. Em Washington, a CIA precisa agir rápido, mas as alternativas tradicionais são descartadas uma a uma. Não há rota terrestre segura, não há acordo diplomático viável, e qualquer operação militar ampliaria o conflito.

É nesse impasse que Tony Mendez apresenta sua ideia ousada: criar um filme falso de ficção científica chamado Argo e usar a suposta produção como fachada para tirar os diplomatas do país. A proposta soa absurda à primeira vista, mas ganha força justamente porque o improvável pode passar despercebido. Para tornar o plano crível, Mendez viaja a Hollywood e recruta Lester Siegel, produtor vivido por Alan Arkin, e John Chambers, interpretado por John Goodman. Os dois conhecem os bastidores da indústria e sabem como vender um projeto inexistente como se fosse o próximo grande lançamento.

A parte mais interessante é ver como o filme equilibra tensão e humor sem perder o foco. As cenas em Los Angeles, com testes de roteiro, cartazes e entrevistas para a imprensa especializada, têm um tom irônico que alivia a pressão, mas nunca esvazia o risco. O sarcasmo de Lester Siegel, sempre pronto a zombar da própria indústria, funciona como comentário afiado sobre como Hollywood transforma qualquer ideia em espetáculo. Ao mesmo tempo, cada coletiva e cada anúncio publicado servem a um objetivo muito claro: criar documentos e registros que sustentem a história inventada.

De volta a Teerã, o clima muda completamente. Mendez precisa treinar os diplomatas para assumirem novas identidades, decorar biografias e responder a possíveis questionamentos. O medo é visível, e o filme faz questão de mostrar como pessoas comuns reagem quando a sobrevivência depende de uma atuação convincente. Não há heroísmo espalhafatoso; há nervosismo, dúvida e a consciência de que um erro pequeno pode comprometer tudo.

Ben Affleck dirige com sobriedade e evita exageros. Ele prefere construir o suspense a partir de procedimentos simples: um carimbo, uma fila, um olhar desconfiado. A montagem alterna a pressão nos Estados Unidos com a tensão no Irã, mantendo o espectador sempre alguns passos atrás das decisões estratégicas. O resultado é um thriller político que aposta menos em explosões e mais em detalhes burocráticos que, naquele contexto, têm peso de vida ou morte.

“Argo” nunca perde de vista o fator humano. Tony Mendez não é retratado como super-herói, mas como alguém que calcula riscos, negocia apoio e aceita a responsabilidade por cada escolha. Jack O’Donnell representa a pressão institucional, cobrando resultados sob prazo curto. Já John Chambers e Lester Siegel trazem a dimensão prática da indústria do entretenimento, mostrando como a experiência acumulada em sets de filmagem pode ganhar um uso inesperado.

O filme lembra que política internacional e cultura pop às vezes se cruzam de maneira insólita. O plano parece saído de um roteiro improvável, mas é justamente essa mistura de realidade e ficção que mantém a narrativa pulsando. “Argo” prende pela tensão constante e pelo senso de urgência, entregando um suspense inteligente, bem construído e sustentado por personagens que precisam agir antes que o tempo se esgote.

Filme:
Argo

Diretor:

Ben Affleck

Ano:
2012

Gênero:
Drama/Guerra/História/Terror/Thriller

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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