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Thriller de ação com Dolph Lundgren e Ron Perlman chega na Netflix com perseguições, pancadaria e tensão constante

“Skin Trade: Em Busca de Vingança”, dirigido por Ekachai Uekrongtham, apresenta Nick Cassidy (Dolph Lundgren) como um policial de Nova York que tem a vida interrompida por um ataque direto da máfia russa. A violência não funciona apenas como ponto de partida emocional, mas como gatilho narrativo claro: Nick decide abandonar qualquer postura defensiva e passar ao ataque, mirando uma organização ligada ao tráfico humano. A escolha redefine sua posição dentro da lei e reduz drasticamente suas proteções institucionais.

Em Nova York, Nick ainda conta com distintivo, arquivos e colegas, mas enfrenta um inimigo que opera acima das regras formais. A organização liderada por Victor Dragovic (Ron Perlman) se mantém distante, protegida por intermediários e acordos obscuros. Cada tentativa de avanço esbarra em provas que somem, informantes que recuam e limites de jurisdição. O efeito é imediato: quanto mais Nick insiste, mais isolado ele fica dentro da própria estrutura policial.

A investigação nos Estados Unidos se torna um jogo de resistência. Nick pressiona contatos, tenta encurtar caminhos e força acessos, mas a resposta é sempre o recuo calculado da organização. Dragovic não reage com pressa; ele ganha tempo, desloca recursos e mantém o controle à distância. O policial percebe que insistir ali só aumenta o risco sem trazer resultados concretos.

Diante desse bloqueio, Nick toma uma decisão prática e perigosa: seguir o rastro do tráfico até o Sudeste Asiático. A mudança de país não amplia apenas o cenário, mas altera completamente as regras do jogo. Ao sair de Nova York, ele perde autoridade formal, respaldo legal e qualquer garantia de retorno rápido. Em troca, ganha apenas a chance de continuar a caçada.

Bangkok surge como um território onde Nick é apenas mais um estrangeiro armado de urgência e pouca margem de erro. Sem acesso automático a registros ou operações oficiais, ele depende de contatos locais para se mover. É nesse contexto que entra Tony Vitayakul (Tony Jaa), um detetive que conhece o funcionamento do crime organizado local e os limites reais da lei.

A parceria entre os dois nasce da necessidade, não da confiança. Tony abre portas, mas também impõe condições claras: há áreas que não podem ser tocadas e prazos que não podem ser estendidos. Cada avanço vem acompanhado de risco político e pessoal. A investigação ganha velocidade, mas se torna mais instável, sempre à beira de retaliações diretas.

Nick e Tony operam de formas distintas. Nick aposta na pressão física e na persistência direta; Tony prefere contornar, negociar e escolher o momento certo de agir. O atrito entre os dois não vira discurso, mas ação concreta. Quando um método falha, o outro tenta manter a operação de pé. Essa alternância mantém a narrativa em movimento e evita soluções fáceis.

Há perdas claras ao longo do caminho: informantes desaparecem, acessos são cortados e rotas precisam ser refeitas. Eles não dizem em voz alta, mas o filme deixa evidente que cada acordo fechado em Bangkok cobra um preço. A cada concessão, a margem de segurança diminui, e a investigação se torna mais pessoal e mais arriscada.

As cenas de ação não aparecem como espetáculo gratuito. Elas funcionam como linguagem prática dentro da história. Confrontos resolvem impasses que a negociação não consegue destravar. Tony Jaa imprime precisão e velocidade às lutas, enquanto Dolph Lundgren sustenta um estilo mais pesado, marcado pelo desgaste acumulado. Essa diferença afeta diretamente o ritmo das cenas e o controle da situação.

Algumas ações garantem acesso imediato a locais antes interditados; outras fecham caminhos de forma definitiva. O impacto nunca é abstrato. Sempre há uma consequência clara: uma entrada liberada, uma perseguição intensificada ou um prazo encurtado para agir antes da próxima reação do inimigo.

Victor Dragovic permanece quase sempre fora do confronto direto. Ele lidera por ordens, telefonemas e deslocamento de recursos, o que amplia a sensação de alcance da rede criminosa. Não se trata de presença física, mas de controle. Cada movimento dos protagonistas parece provocar uma reorganização imediata do outro lado.

A direção enfatiza como decisões tomadas em um país geram efeitos quase instantâneos em outro. Isso mantém Nick e Tony sempre um passo atrás, reagindo mais do que comandando. A pressão não diminui, apenas muda de forma.

O filme evita fechar sua história com explicações ou lições morais. O que fica são ações e efeitos diretos. A caçada não apaga a perda inicial, nem devolve o que foi tirado. Ela apenas redefine posições, recursos e riscos. Quando a poeira baixa, o que resta é a certeza de que atravessar fronteiras tem custo, e que nem toda vitória vem sem novas perdas logo adiante.

Filme:
Skin Trade: Em Busca de Vingança

Diretor:

Ekachai Uekrongtham

Ano:
2014

Gênero:
Ação/Crime/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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