Categories: Cultura

Thriller de ação com Antonio Banderas e Kate Bosworth que está explodindo na Netflix Brasil

Em “O Assassino Perfeito”, Antonio Banderas interpreta Cuda, o típico homem que passou a vida inteira resolvendo problemas sujos para pessoas ainda piores. Ele é o principal executor de uma organização criminosa em Miami, alguém acostumado a obedecer ordens sem fazer perguntas. Isso muda quando Cuda descobre que sua chefe, Estelle (Kate Bosworth), colocou uma jovem em perigo direto. A partir desse ponto, o filme deixa claro que não existe mais espaço para neutralidade: continuar significa compactuar, sair significa virar alvo.

Cuda não é apresentado como herói. Ele carrega o peso de tudo o que construiu para o crime e sabe exatamente como o sistema reage quando alguém tenta romper. A decisão de proteger a jovem Billie (Zolee Griggs) não nasce de idealismo, mas de exaustão moral. Ele já viu demais, fez demais e entende que aquela pode ser sua última chance de fazer algo certo antes que o passado cobre a conta. Essa consciência dá ao personagem uma urgência silenciosa que Banderas sustenta com economia de gestos e um cansaço visível no olhar.

Kate Bosworth constrói Estelle como uma líder fria, prática e calculista. Ela não precisa levantar a voz para impor autoridade, porque seu poder já está estabelecido. O confronto entre ela e Cuda não é explosivo no sentido clássico; é tenso justamente porque ambos sabem o que está em jogo. Cada conversa, cada recuo ou ameaça velada reforça a sensação de que não existe espaço para acordos duradouros dentro daquela estrutura criminosa.

A relação de Cuda com Billie funciona como eixo emocional do filme. Zolee Griggs interpreta a jovem sem exageros, evitando o tom de vítima passiva. Ela entende rapidamente o perigo ao redor e reage com desconfiança, o que torna a aproximação entre os dois mais crível. Não há sentimentalismo fácil: o vínculo se constrói a partir da necessidade e da sobrevivência, não de discursos.

Richard Hughes dirige a história de forma direta, sem tentar sofisticar o que é essencialmente um thriller de ação com forte carga moral. Miami aparece como um espaço funcional, feito de ruas, esconderijos e zonas de risco, mais do que como cartão-postal. A violência surge como consequência natural das escolhas dos personagens, nunca como espetáculo isolado.

O maior acerto do filme está em tratar redenção como algo caro e incerto. Cuda não busca absolvição nem aplauso; ele tenta corrigir um erro sabendo que pode não sair vivo. Essa abordagem dá peso às decisões e evita transformar a trama em uma fantasia de redenção fácil.

“O Assassino Perfeito” funciona melhor quando aposta nesse equilíbrio entre ação e consciência pesada. Não reinventa o gênero, mas entrega um suspense sólido, ancorado em personagens que parecem saber exatamente quanto custa cruzar a linha errada, e mesmo assim decidem avançar.

Filme:
O Assassino Perigoso

Diretor:

Richard Hughes

Ano:
2022

Gênero:
Ação/Crime/Drama/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

Recent Posts

A história apaixonante da literatura que foi para as telas e vai te fazer tremer (de amor ou de raiva)

Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, dirigido por Emerald Fennell, Heathcliff (Jacob Elordi) chega à…

19 minutos ago

Turismo corporativo cresce e já movimenta mais de R$ 2 bi

O turismo corporativo brasileiro segue em trajetória de crescimento em 2026. Em fevereiro, o setor…

31 minutos ago

Aena oferece R$ 2,9 bilhões e fica com aeroporto Galeão

A atual administradora do aeroporto é a RIOgaleão, formada pela Changi Airport, de Cingapura, e…

33 minutos ago

Repentista João de Lima é atração do Giro das Tradições nesta terça-feira (31), no Theatro Homerinho

Com classificação livre e entrada gratuita, o público poderá desfrutar de uma noite de valorização…

36 minutos ago

Céline Dion completa 58 anos e prepara volta aos palcos em meio a tratamento contra doença rara

A cantora Céline Dion completa 58 anos nesta segunda-feira, 30, em meio à retomada de…

54 minutos ago

Este suspense de terror de Jordan Peele chegou à Netflix e deixa a imagem mais perturbadora do cinema recente

Jordan Peele dirige “Nós“ com Lupita Nyong’o, Winston Duke, Elisabeth Moss e Shahadi Wright Joseph…

1 hora ago