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Thriller brutal com Morgan Freeman está no Prime Video e muita gente deixou passar

George Gallo dirige “Muti: Crime e Poder” com Cole Hauser, Morgan Freeman, Vernon Davis e Murielle Hilaire à frente de um thriller que começa em Roma e logo se fixa em Clinton, no Mississippi. Um assassinato brutal abre a história, e o caso seguinte leva Lucas Boyd a uma série de mortes marcadas por mutilações e retirada de partes do corpo. Boyd entra em cena ainda abatido pela morte da filha, e o filme tenta fazer desse luto um peso constante sobre a investigação. A premissa tem força porque junta um policial ferido, um rastro de corpos e um ritual que ninguém naquele departamento sabe decifrar.

Quando os sinais do “Muti” aparecem nas cenas de crime, Boyd procura o professor Mackles, especialista em estudos africanos, para entender o que está vendo. A passagem pela universidade dá ao caso um rumo mais definido. O Mississippi se liga a Roma não só pelo assassinato inicial, mas também por símbolos, explicações e uma trilha de violência que sugere algo maior do que um assassino agindo sozinho. Mackles vira peça central, embora sua presença nunca pareça inteiramente confiável.

Dois homens, um caso

A relação entre Boyd e Mackles sustenta boa parte do interesse de “Muti: Crime e Poder”. Hauser interpreta o detetive como um homem já corroído, dividido entre a rotina policial em Clinton e o trauma privado da filha morta. Freeman, por sua vez, dá ao professor a gravidade necessária para manter o eixo sempre que o roteiro se dispersa. Ao lado da detetive Kersch, Boyd tenta organizar pistas, cenas de crime e a ligação entre os dois continentes, mas o que realmente move o filme é a dúvida sobre o quanto Mackles sabe e o quanto apenas administra.

O problema é que George Gallo não conduz a tensão com o mesmo rigor. Randoku aparece cedo demais. Em vez de preservar o mistério em torno do assassino, o filme desloca o interesse para os motivos do ritual, para o uso de partes humanas e para a rede de proteção que parece cercar a violência. A escolha poderia dar outra qualidade ao suspense, mais voltada ao método do crime e a quem o financia, mas o encadeamento das cenas não ajuda. Há momentos em que a história parece saltar de uma pista a outra sem fazer a ligação necessária.

Corpos e atalhos

A violência ocupa o centro da encenação e quase nunca sai de cena. Sangue, cortes, carne exposta. Roma já surge como palco de um crime agressivo, e o Mississippi repete esse padrão com cadáveres mutilados e marcas rituais montadas para causar impacto imediato. Há coerência entre o assunto e essa exibição frontal, mas a repetição cobra um preço. Depois de certo ponto, o horror deixa de apertar a investigação e passa a funcionar quase como rotina visual, com outro corpo, outro corte e outra marca antes que o caso de fato avance.

Esse excesso pesa ainda mais porque o roteiro tenta operar em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, há o policial de perseguição, com Boyd atrás de vestígios, consultando Mackles e tentando entender a lógica do “Muti”. De outro, surge a ideia de um esquema maior, protegido por dinheiro e influência, que ligaria o assassino a gente acima dele. O material para um thriller mais duro está ali, mas o filme prefere atalhos. Em vez de aprofundar o vínculo entre Boyd e Mackles ou explorar melhor o contraste entre o saber acadêmico e o uso monstruoso do ritual, a história toca nesses elementos e segue adiante.

“Muti: Crime e Poder” ainda preserva alguma presença por causa das peças que espalha pelo caminho. Ficam o detetive quebrado em Clinton, a consulta na universidade, o eco do crime de Roma, a circulação de Randoku e a suspeita de que alguém poderoso protege a engrenagem da morte. Hauser sustenta com firmeza o desgaste de Boyd, e Freeman impõe peso mesmo quando o texto à sua volta vacila. O filme, porém, não transforma esse material em pressão contínua. No lugar de um suspense que aperta, sobra uma sequência de cenas de crime, consultas apressadas e pontas soltas entre Roma e Clinton.



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Redação

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