A inovação tecnológica foi protagonista no encontro temático promovido pela Skål Internacional São Paulo e pela Skål Internacional Brasil, realizado no dia 12 de novembro, no Hotel Intercity Ibirapuera, na capital paulista. O debate buscou traduzir tendências como Web3, blockchain e tokenização para aplicações práticas no turismo, aproximando conceitos ainda considerados complexos da realidade de hotéis, operadoras e agências.
A abertura ficou a cargo do presidente da Skål SP, Aristides Cury, que agradeceu os mantenedores do capítulo paulista. Sob mediação de Rossana Viegas, vice-presidente da entidade, o encontro apresentou exemplos de como novas ferramentas digitais começam a gerar ganhos operacionais e novas receitas para empreendimentos de diferentes portes — de hotéis independentes a redes hoteleiras, além de multipropriedades e empresas da cadeia de distribuição turística.
Um dos eixos centrais do debate foi a adoção de pagamentos digitais com liquidação instantânea. A possibilidade de aceitar moedas digitais e recebê-las automaticamente convertidas em reais, ou em mais de 200 moedas locais, elimina etapas manuais, reduz custos transacionais e amplia meios de pagamento para operações internacionais. Essa lógica, destacada pelos painelistas, está sendo testada por empresas brasileiras do setor.
Outro campo que começa a avançar é o de fidelidade e relacionamento. Programas lastreados em smart contracts, além de vouchers e experiências digitais, permitem maior rastreabilidade e engajamento com o cliente final. Esses modelos abrem novas oportunidades de upsell em marketplaces, com controle mais preciso do uso e da remuneração.
A modernização de ativos também apareceu como uma das aplicações mais promissoras. A tokenização de retrofit — conceito ainda emergente no turismo — foi apresentada como alternativa para financiar projetos de eficiência energética, ampliar a capacidade de Wi-Fi ou promover upgrades de produto com menor custo de capital. A digitalização de contratos B2B e o uso de identidade digital no check-in e checkout completaram o panorama sobre impactos na operação e na distribuição.
Walter Teixeira, presidente eleito da Skål Brasil para o biênio 2025–2027, resumiu o momento como um ponto de inflexão para o setor. “Estamos diante de uma virada prática”, afirmou, citando o uso de stablecoins, fidelidade tokenizada e novos mecanismos para modernizar empreendimentos sem sobrecarregar o caixa.
O evento também apresentou soluções que conectam a hotelaria ao universo cripto sem exigir conhecimento técnico aprofundado. Paulo Regis, CEO da Bankei, explicou a chamada “ponte Web 2.5”, que inclui um cartão Mastercard lastreado em cripto com conversão automática para reais e integração via APIs com hotéis e operadoras. O executivo exibiu ainda um vídeo didático criado para aproximar os conceitos da realidade dos gestores.
Representando a ABIH-SP, o presidente Marcos Vilas Boas destacou a relação direta entre transformação digital, sustentabilidade e desempenho comercial. Segundo ele, a adoção de plataformas integradas acelera a implantação de pilotos e reduz o tempo de entrada no mercado, especialmente em áreas como e-commerce, Revenue Management, MICE e parcerias B2B e B2C.
Já Tadeu Cunha, VP de Tecnologia, Inovação e Dados da Avipam, chamou atenção para o papel da inteligência artificial. Ele citou aplicações práticas em backoffice, atendimento 24 horas e modelos preditivos de precificação. Para Cunha, a tecnologia só entrega resultado quando traduzida para rotinas operacionais das equipes. “Tecnologia é saber como fazer”, resumiu.
As discussões também tocaram em impactos mais amplos da digitalização. Operadoras e transportadoras turísticas tendem a ganhar previsibilidade de fluxo e redução de custos bancários, enquanto agências, no atacado e no varejo, ampliam meios de pagamento e ganham agilidade em operações internacionais.
Ao final, o grupo reforçou que plataformas já utilizadas por muitos associados da ABIH — como motores de reservas, soluções de CRM/BI, meios de pagamento e sistemas colaborativos de compras — estão cada vez mais preparadas para integrar camadas Web3. Essa base tecnológica, afirmaram os painelistas, facilita testes, reduz custos e melhora o retorno comercial em um ambiente de dados unificados.
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