Em “Agente Zeta”, dirigido por Dani de la Torre, o agente Zeta (Mario Casas) é convocado pelo Centro Nacional de Inteligência após o assassinato simultâneo de quatro ex-oficiais espanhóis, enquanto uma agente colombiana, Alfa (Mariela Garriga), entra na disputa para impedir que ele encontre o único sobrevivente e revele conexões perigosas entre os países.
As mortes não acontecem ao acaso, e isso fica claro desde os primeiros minutos. Os quatro alvos estavam ligados à chamada Operação Ciénaga, uma missão conduzida anos antes na Colômbia e que, ao que tudo indica, nunca foi oficialmente encerrada. Quando os relatórios chegam à Espanha, a reação é rápida, mas silenciosa: ninguém quer transformar o caso em crise diplomática. O problema é que o quinto integrante do grupo escapou, e sua simples existência já ameaça reabrir arquivos que deveriam permanecer fechados.
Zeta entra em cena com a familiaridade de quem já viu esse tipo de situação antes, mas sem o conforto de ter todas as peças à disposição. Ele recebe acesso parcial aos registros da operação e uma tarefa direta: localizar o sobrevivente antes que qualquer outra força o faça. Só que, como em toda boa história de espionagem, o que está no papel não bate com o que realmente aconteceu, e cada informação obtida vem acompanhada de uma dúvida que atrasa mais do que ajuda.
À medida que Zeta avança, a Operação Ciénaga deixa de ser apenas um nome em relatórios antigos e passa a funcionar como um campo minado. Cada contato que ele tenta reativar responde com cautela, quando responde. Há um desconforto generalizado, como se todos soubessem que tocar nesse assunto pode trazer consequências imediatas.
O próprio Zeta percebe que não está apenas caçando alguém, mas reconstruindo um passado que foi cuidadosamente fragmentado. E isso custa tempo. Em vez de seguir uma linha reta, ele precisa contornar lacunas, interpretar silêncios e decidir rapidamente o que vale a pena perseguir. Cada escolha abre uma possibilidade, mas fecha duas outras, encurtando sua margem de erro.
Se a missão já parecia complicada, a entrada de Alfa transforma tudo em um duelo direto. Interpretada por Mariela Garriga com precisão fria, ela não surge como um obstáculo improvisado, mas como alguém que já conhece o terreno. E talvez conheça até melhor do que a própria Espanha gostaria de admitir.
Alfa não apenas interfere nas ações de Zeta, como antecipa seus movimentos. Quando ele chega a um ponto de contato, ela já esteve lá. Quando tenta acessar uma informação, ela já bloqueou o caminho. Esse tipo de vantagem altera completamente a dinâmica: Zeta deixa de agir com iniciativa e passa a reagir, o que, em operações desse tipo, é quase sempre uma posição desconfortável.
Há um momento particularmente revelador em que ele precisa decidir entre seguir um rastro incerto ou mudar completamente de estratégia para despistá-la. Ele opta por avançar, mas com cautela redobrada. O resultado não é imediato, mas redefine quem está um passo à frente naquele instante.
Enquanto o confronto se intensifica, o Centro Nacional de Inteligência começa a impor limites mais rígidos às ações de Zeta. A preocupação não é só com o sucesso da missão, mas com as possíveis repercussões políticas caso algo saia do controle. E, claro, sempre há o risco de que a verdade venha à tona de uma forma que ninguém consiga administrar.
Zeta, por sua vez, negocia cada movimento. Ele segue ordens quando possível, contorna quando necessário e, em alguns momentos, simplesmente decide agir antes que a autorização chegue. Não por rebeldia, mas por cálculo. Esperar demais, naquele contexto, significa perder o alvo, e talvez algo maior.
Essa tensão entre obedecer e improvisar dá ao filme um ritmo constante, quase inquieto. Não há grandes pausas para reflexão prolongada. Quando Zeta para, é porque precisa recalcular. E quando recalcula, alguém, geralmente Alfa, já está se movendo.
“Agente Zeta” é conduzido por esse jogo contínuo de decisões sob pressão. Cada avanço traz um custo imediato, seja em recursos, confiança ou tempo. E quando Zeta finalmente se aproxima do que procura, ele não encontra apenas um homem em fuga, mas um conjunto de consequências que ninguém, de fato, parece disposto a assumir.
Filme:
Agente Zeta
Diretor:
Dani de la Torre
Ano:
2026
Gênero:
Suspense
Avaliação:
8/10
1
1
Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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