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Superprodução épica de Darren Aronofsky que está no Top 10 da Netflix Brasil

Superprodução épica de Darren Aronofsky que está no Top 10 da Netflix Brasil

Em “Noé”, dirigido por Darren Aronofsky, Russell Crowe assume o papel de Noé, um patriarca que acredita ter sido escolhido pelo Criador para executar uma tarefa brutal: construir uma arca e decidir quem merece sobreviver ao dilúvio anunciado.

Noé vive isolado com a esposa Naameh (Jennifer Connelly) e os filhos Sem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Jafé (Leo McHugh Carroll), em um mundo árido, marcado por violência e escassez. Ele tem visões, interpreta sinais e conclui que precisa procurar seu avô, Matusalém (Anthony Hopkins), para confirmar o que entendeu como um chamado divino. Essa decisão coloca a família em movimento e já deixa claro que a fé de Noé não é contemplativa, é prática e urgente.

No caminho, eles encontram Ila (Emma Watson), ferida e sozinha após um ataque. Noé decide acolhê-la, mesmo sabendo que isso pode atrasar a jornada. O gesto revela um lado compassivo, mas também amplia a responsabilidade que ele carrega. A partir dali, cada escolha passa a ter impacto direto sobre mais vidas.

Ao encontrar Matusalém, Noé recebe a confirmação da missão: construir uma arca gigantesca para salvar os animais de um dilúvio que eliminará o restante da humanidade. A orientação deixa de ser dúvida pessoal e vira ordem concreta. Ele volta decidido, com um plano que não admite negociação.

A construção da arca se torna o centro da vida da família. A estrutura cresce no meio da paisagem desolada, imensa demais para passar despercebida. O problema é que o mundo ao redor continua dominado por homens violentos, liderados por Tubalcaim (Ray Winstone), que disputam recursos e poder. A arca deixa de ser apenas um projeto de salvação e passa a ser um alvo.

Dentro da família, as tensões se acumulam. Sem apoia o pai, confia na promessa de continuidade ao lado de Ila. Cam, por outro lado, começa a questionar as decisões de Noé e a rigidez do plano. Ele sente que há algo injusto na forma como tudo está sendo conduzido. Naameh tenta equilibrar a casa, mas percebe que o marido está cada vez mais inflexível.

Aronofsky constrói esse conflito com peso emocional. Russell Crowe interpreta Noé como um homem dividido entre fé e medo de falhar. Ele não age como herói clássico; age como alguém pressionado por uma responsabilidade que ninguém mais pode assumir. Jennifer Connelly dá a Naameh uma força silenciosa, firme, que desafia o marido sem transformar o embate em caricatura. Anthony Hopkins, como Matusalém, aparece pouco, mas marca presença com um olhar que mistura sabedoria e mistério.

À medida que os animais começam a chegar para ocupar a arca, o plano se torna irreversível. Não é mais uma visão distante, é uma operação concreta, com espaço limitado e decisões duras. A família percebe que a embarcação não é apenas abrigo físico, mas também símbolo de escolhas que podem romper laços.

Quando grupos liderados por Tubalcaim descobrem a construção, a ameaça deixa de ser abstrata. A arca precisa ser defendida. A fé de Noé passa a ser testada não apenas pela natureza, mas pela violência humana. O que estava restrito ao ambiente doméstico se transforma em confronto direto.

“Noé” mistura ação, drama e épico com uma abordagem menos confortável do que se poderia esperar. Aronofsky não suaviza o peso das decisões. Ele mostra um protagonista disposto a ir até o fim da própria convicção, mesmo quando isso o afasta daqueles que mais ama. O filme não entrega respostas fáceis, nem busca agradar todos os públicos religiosos ou céticos.

Sem revelar desfechos, a sensação de que a arca não é apenas uma embarcação contra o dilúvio. É um espaço de tensão constante, onde fé, poder e afeto disputam o mesmo território. E, no centro disso tudo, está Noé, convencido de que salvar o mundo pode significar perder parte de si no processo.

Filme:
Noé

Diretor:

Darren Aronofsky

Ano:
2014

Gênero:
Ação/Aventura/Drama/Épico

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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