Galo homenageia Dom Helder e une arte, sustentabilidade e tecnologia no Recife 2026 (Matheus Bueno/M&E)

RECIFE – O Carnaval do Recife 2026 começou oficialmente nesta quarta-feira (11), com a tradicional subida do Galo da Madrugada, que reuniu milhares de pessoas no Centro da capital pernambucana, marcando o início da folia com muita animação e festa. De acordo com o prefeito João Campos a mudança no horário da subida, realizada no primeiro ano de sua gestão, consolidou o momento como parte central da programação. Segundo ele, anteriormente o Galo era erguido durante a madrugada, o que impedia que grande parte da população acompanhasse a subida.

“Tomamos a decisão de subir o Galo durante as noites para que as pessoas possam ver e contemplar esse momento incrível que reúne a população da cidade e quem vem de fora também para o nosso carnaval.”

A programação contou com apresentações de cultura popular e reforçou a mensagem central do Carnaval do Recife: “O carnaval na sua essência, é um ambiente de confraternização, de alegria, de respeito e de valorização das diferenças. A mensagem do Galo esse ano é de fraternidade e que ela seja praticada por todos que vivem e visitam a nossa cidade”, destacou o prefeito.

Com mais de 50 anos de história, o Galo da Madrugada é reconhecido como o maior bloco da cidade, reunindo milhões de pessoas nas ruas ao longo de mais de 10 horas de desfile. A festa recebe foliões de diversas regiões do país e visitantes de fora, consolidando o Recife como um dos principais destinos do Carnaval brasileiro.

Galo homenageia Dom Helder e aposta em sustentabilidade e tecnologia

Responsável pela escultura, o multiartista Leopoldo Nóbrega afirmou que a obra deste ano vai além de um elemento decorativo e busca dialogar com temas contemporâneos. “Não é apenas uma decoração. É um ícone da cultura popular que agrega valor e leva mensagens além da Quarta-feira de Cinzas. É um laboratório inclusivo de experimentação sustentável”, explicou.

Em 2026, o Galo faz uma alusão a Dom Helder Câmara, com a proposta do “Galo Folião Fraterno”. Segundo o artista, a escolha está ligada à mensagem humanista associada ao religioso. “Falar de Dom Helder é falar de fraternidade, de um espírito franciscano. A arte cria conexões sublimes. É uma honra poder compartilhar essa energia com a população por meio do carnaval”, afirmou.

O projeto envolveu a participação de diferentes comunidades e grupos sociais. Materiais como redes de pesca descartadas, mariscos da Ilha de Deus, mosaicos produzidos por pessoas em situação de vulnerabilidade social e contribuições de centros de apoio da Prefeitura foram incorporados à estrutura. “Estamos falando de um carnaval humanista, que envolve diversas narrativas e inclui diferentes realidades dentro da proposta”, destacou Nóbrega.

A sustentabilidade segue como eixo central. A escultura utiliza garrafas PET, redes de arrasto, CDs reutilizados e materiais biodegradáveis. Neste ano, pela primeira vez, o Galo incorpora elementos de robótica e impressão 3D na composição das estrelas que integram a obra, desenvolvidas com participação de crianças e comunidades parceiras.

“A robótica está a serviço da arte e da cultura popular. É o primeiro passo de uma caminhada que aproxima tecnologia e tradição”, afirmou o artista.

Segundo ele, a proposta é conectar inovação e cultura popular, ampliando o diálogo com as novas gerações. “O futuro se constrói agora. Ao viver essa experiência, a nova geração participa da construção desse presente”, concluiu.

Além do simbolismo cultural, o prefeito João Campos reforçou que o Carnaval do Recife envolve uma ampla operação pública para garantir o funcionamento da festa, com equipes atuando nas áreas de cultura, limpeza urbana, manutenção, segurança e saúde e também confirmou a presença do presidente Lula no Carnaval do Recife.

*O M&E viaja com proteção da GTA e apoio da Shift Mobilidade