Categories: Turismo

STF restringe suspensão de processos contra companhias aéreas

STF esclarece que suspensão nacional de processos sobre atrasos e cancelamentos de voos vale apenas para casos de força maior

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), limitou o alcance da decisão que havia determinado a suspensão nacional de processos sobre indenizações por atrasos e cancelamentos de voos no Brasil.

A medida, publicada nesta terça-feira (10), esclarece que a paralisação se aplica apenas a ações relacionadas a eventos classificados como força maior, como fechamento de aeroportos por condições meteorológicas adversas.

A decisão atende a embargos de declaração apresentados no processo que discute qual regime jurídico deve ser aplicado à responsabilidade civil no transporte aéreo: o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) ou o Código de Defesa do Consumidor (CDC). O tema possui repercussão geral reconhecida pela Corte e ainda será julgado pelo plenário.

Esclarecimento sobre a suspensão de processos

No despacho desta terça-feira, o relator afirmou que a determinação anterior, publicada em novembro, foi interpretada de forma ampla por parte do Judiciário, levando à suspensão de processos que não tratavam de situações de força maior.

Segundo o ministro, houve aplicação indiscriminada da decisão em ações relacionadas a falhas na prestação do serviço aéreo.

Com o esclarecimento, permanecem suspensos apenas os processos em que atrasos ou cancelamentos tenham ocorrido por fatores externos e inevitáveis, como fechamento de aeroportos por tempestades ou outras condições operacionais fora do controle das companhias aéreas.

Debate jurídico

O processo analisado pelo STF discute a prevalência das normas específicas do transporte aéreo sobre a legislação consumerista. O julgamento deverá definir se casos de indenização por atrasos e cancelamentos devem ser analisados com base no CBA ou nas regras do CDC.

A controvérsia envolve a interpretação do artigo 178 da Constituição, que trata da regulação do transporte aéreo internacional e da aplicação de tratados e normas específicas. O tema também envolve princípios como livre iniciativa, segurança jurídica, direitos do passageiro e responsabilidade civil no setor de transporte aéreo.

Origem do caso

A controvérsia teve início em processo julgado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no qual a Azul Linhas Aéreas foi condenada ao pagamento de danos materiais e morais por atraso e alteração de voo.

A companhia recorreu ao STF alegando divergência entre tribunais brasileiros sobre qual legislação aplicar nesses casos. O recurso também solicitou a suspensão nacional de processos semelhantes até a definição de uma tese jurídica pela Corte.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT), admitida como amicus curiae, apoiou o pedido e destacou impactos da falta de uniformidade nas decisões judiciais. Segundo a entidade, a divergência de entendimento “compromete a isonomia e sobrecarrega o sistema de Justiça com demandas repetitivas”.

Judicialização no Brasil

Levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indica que o país registra uma ação judicial para cada 227 passageiros transportados. Nos Estados Unidos, a proporção é de um processo para cerca de 1,25 milhão de passageiros.

Estudos citados nos autos apontam que o índice de judicialização no Brasil pode ser até 5.000 vezes superior ao observado no mercado norte-americano.

Mesmo com cerca de 85% de pontualidade nas operações e taxa de cancelamento em torno de 3% no ano anterior, a projeção do setor para 2024 era de aproximadamente 250 mil novos processos relacionados ao transporte aéreo.

Impactos regulatórios

Entidades da aviação civil argumentam que o elevado volume de ações judiciais gera aumento de custos operacionais e reduz a previsibilidade regulatória.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas afirmou que a decisão busca conter o que classifica como “litigância predatória”. Segundo a associação, o cenário atual também pressiona custos operacionais, reduz a competitividade e pode desestimular investimentos e expansão de rotas no mercado brasileiro.

Discussão regulatória paralela

Paralelamente ao julgamento no STF, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) discute a revisão de normas que tratam dos direitos e deveres dos passageiros e das companhias aéreas.

A proposta em análise busca esclarecer critérios de responsabilização civil em casos de atrasos e cancelamentos, especialmente quando decorrentes de eventos classificados como força maior.

O debate ocorre no contexto de iniciativas de cooperação institucional entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ANAC e a Secretaria de Aviação Civil, que buscam reduzir o volume de litígios envolvendo o transporte aéreo.





Fonte

Redação

Recent Posts

Com Daniel Craig, thriller de ação elegante para pessoas exigentes está na Netflix

Às vezes um homem tenta deixar para trás a vida que sempre o definiu, mas…

17 minutos ago

Novotel Itu e Instituto Kobra unem arte e impacto social

O Novotel Itu Golf & Resort anunciou uma parceria institucional com o Instituto Kobra, iniciativa…

35 minutos ago

Governo do DF sanciona lei para socorrer BRB com imóveis públicos

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sancionou nesta terça-feira (10) a lei que autoriza…

44 minutos ago

Sem o desterro de Pedro II o Brasil seria hoje provavelmente uma potncia mundial

A ideia de que a permanncia da monarquia teria transformado o Brasil em uma potncia…

57 minutos ago

O filme mais absurdo do Prime Video no último ano começa com a morte de um unicórnio

O desejo de purificação, de si mesmo e do outro, é um prenúncio silencioso da…

1 hora ago

Bolsa sobe 1,4% em dia de redução nas tensões no Oriente Médio

Em mais um dia de recuperação no mercado financeiro, a bolsa voltou a subir, superando…

2 horas ago