Em meio a fantasmas, monstros e efeitos visuais que os tornam críveis, bons filmes de terror servem para discutir temas deste plano. O gênero é pródigo de reflexões acerca de escolhas, limites, responsabilidades e culpa, questionando falsos valores com a pretensão de levar a alguma mudança. É o que Steven Soderbergh faz em “Presença”, a história de uma família que sofre sem sentir, que nem ao menos percebe o mal com que convivem. Como de hábito, Soderbergh opera em seu próprio ritmo, cuidando ele mesmo da câmera (usando o pseudônimo de Mary Ann Bernard) e da fotografia (quando prefere ser chamado de Peter Andrews), e transformando o roteiro de David Koepp num novelo de sensações, cada qual encerrando uma simbologia nem tão óbvia. E por isso mesmo estimulante.
Na introdução, uma corretora de imóveis se apressa para chegar a tempo de receber os Paynes, a família interessada em adquirir a mansão numa rua pacata de Cranford, Nova Jersey. Eles vêm logo depois, capitaneados por Rebecca, a mãe, uma mulher enérgica, controladora, a quem o marido, Chris, e os filhos, Chloe Blue e Tyler, já se acostumaram a obedecer cegamente. Entre uma e outra
intervenção da representante da imobiliária, Rebecca se põe a fazer contas e acaba por convencer Chris de que com algum sacrifício serão capazes de honrar as prestações, pelo menos durante o primeiro ano, aptos a requerer um novo cálculo desse valor ao término do período. Lucy Liu e Chris Sullivan encarnam as agruras da classe média dos Estados Unidos ao passo que a narrativa também vai expandindo seu alcance brumoso, concentrado nos dois adolescentes.
Chloe tenta vencer a depressão que a oprime desde que a melhor amiga morreu, e o diretor vale-se dessa informação para confundir o público. Ela estaria tão triste a ponto de ver espíritos em seu quarto ou a casa é mesmo mal-assombrada? Enquanto vai tomar banho, seus livros e cadernos mudam de lugar, fenômeno que o espectador presencia; evidentemente, Chloe é a única a notar eventos sobrenaturais em cadeia dando outra dinâmica à casa e à família porque esse dom está em seu subconsciente, sempre esteve, apesar dela nunca tê-lo manifestado. Callina Liang junta as diferentes camadas que o diretor acrescenta à história, desenvolvendo a personagem através não daquilo que a compõe, mas dos elementos que a rodeiam. Um namoro tóxico prenuncia a revelação que faz de “Presença” um filme de terror. Para além do terror.
Filme:
Presença
Diretor:
Steven Soderbergh
Ano:
2024
Gênero:
Suspense/Terror
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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