Às vezes, o maior erro de uma investigação não é o crime em si, mas quem decide colocá-la nas mãos erradas. Em “Pantera Cor-de-Rosa”, a comédia nasce justamente dessa aposta arriscada: promover o policial menos preparado para um caso que exige precisão cirúrgica. Sob direção de Shawn Levy, o filme coloca Steve Martin no papel de Jacques Clouseau, um inspetor francês desastrado que é chamado a Paris depois que o técnico de futebol Yves Gluant, vivido por Jason Statham, aparece morto e tem roubado de seu anel o famoso diamante conhecido como Pantera Cor-de-Rosa. Quem toma essa decisão improvável é o inspetor-chefe Dreyfus, interpretado por Kevin Kline, que enxerga em Clouseau a isca perfeita para distrair a imprensa enquanto investigadores mais experientes trabalham longe dos holofotes.
A graça está no fato de que Clouseau não sabe que está sendo usado. Ele leva a promoção a sério, veste o cargo com orgulho e parte para a capital determinado a resolver o caso. Ao seu lado está Gilbert Ponton, personagem de Jean Reno, escalado para acompanhá-lo e, na prática, evitar que o novo inspetor provoque um desastre diplomático. Ponton funciona como tradutor cultural, escudo e freio de mão, sempre tentando minimizar os estragos causados pela autoconfiança inabalável do parceiro. E há ainda Nicole, vivida por Emily Mortimer, a secretária eficiente que organiza a agenda, corrige gafes e ajuda a manter a investigação minimamente coerente enquanto o chefe se perde em detalhes e pronúncias equivocadas.
O roteiro brinca com essa dinâmica de incompetência involuntária. Clouseau erra nomes, tropeça em protocolos e transforma interrogatórios formais em situações constrangedoras, mas há algo curioso: justamente por ser subestimado, ele consegue circular por ambientes onde ninguém o leva totalmente a sério. Enquanto Dreyfus tenta controlar a exposição pública e preservar sua própria reputação, o inspetor atrapalhado insiste em seguir pistas que parecem absurdas à primeira vista. O humor surge do contraste entre a pompa das instituições parisienses e a ingenuidade quase infantil de Clouseau, que acredita estar conduzindo uma operação exemplar.
Shawn Levy mantém o ritmo leve, apostando em gags físicas e no timing cômico de Steve Martin, que interpreta Clouseau com um equilíbrio interessante entre arrogância e inocência. Kevin Kline, como Dreyfus, adiciona uma camada de desespero contido, sempre à beira de perder a paciência com o plano que ele mesmo arquitetou. Já Jean Reno traz uma sobriedade que serve de contraponto perfeito ao caos, enquanto Emily Mortimer dá humanidade à equipe, funcionando como a cola que impede que tudo desmorone.
“Pantera Cor-de-Rosa” entende exatamente o que quer ser: um jogo de aparências, em que a autoridade é colocada nas mãos erradas por conveniência política. O filme se diverte com a ideia de que o espetáculo pode ser mais importante que a eficiência, e que, às vezes, o erro insiste em sobreviver porque ninguém espera nada dele. Vale dizer que a jornada de Clouseau é menos sobre genialidade investigativa e mais sobre persistência teimosa. E é justamente essa mistura de confiança exagerada e completa falta de noção que mantém a história divertida até o fim.
Filme:
Pantera Cor-de-Rosa
Diretor:
Shawn Levy
Ano:
2006
Gênero:
Aventura/Comédia/Crime/Mistério
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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