*Por Tiago Ferreira, CEO da MeEventos
2026 se configura como o ano de ouro para o setor de eventos no Brasil. Um calendário com nove dos dez feriados nacionais caindo em dias úteis, e sete deles com possibilidade de emenda direta, deve impulsionar tanto o mercado corporativo quanto o de eventos sociais e culturais. O primeiro semestre ainda traz o aquecimento de verbas públicas em ano eleitoral e, na segunda metade do ano, a Copa do Mundo de Futebol abre espaço para ações de live marketing dentro das empresas. O cenário é de expansão, e a demanda já começou a se antecipar.
O entusiasmo em torno deste não surgiu do nada. Dados doDataEventos,plataforma de inteligência de dados de mercado criada pela MeEventos,mostram que o setor corporativo já viveu um crescimento expressivo em 2025, com alta de 19,98% no número de eventos realizados e aumento de 38% no volume de propostas comerciais geradas. O movimento confirma que as empresas voltaram a investir em conexões presenciais como parte estratégica de suas agendas, enquanto no segmento social cresce a busca por experiências completas, como os destination weddings, eventos que combinam celebração, turismo e permanência prolongada nos destinos.
Mas o verdadeiro divisor de águas está em outro lugar: a inteligência artificial está deixando de ser vitrine para se tornar motor do negócio. Segundo oÍndice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial no Setor de Eventos (IMD 2025), desenvolvido por ABRAPE e Peppow, 79,7% dos profissionais do setor já usam IA de forma prática. Contudo, a maioria ainda restringe seu uso à criação de conteúdo, com apenas 21,6% aplicando inteligência artificial em precificação e orçamentos, justamente onde estão as maiores dores de margem.
É um grande paradoxo, embora as empresas queiram parecer digitais, muitas ainda operam com contratos em planilhas offline e definem preços por intuição. A consequência disso se materializa nos números: produtores B2B têm umgapmédio de 15 dias entre o pagamento a fornecedores e o recebimento de clientes, na prática, financiando seus próprios contratantes.
Esse amadurecimento, no entanto, não se dá apenas nos dados. Está no comportamento. O relatório mostra que o tamanho da empresa não é o principal fator de maturidade digital. Há microempresas mais integradas e com melhor governança do que grandes players. O que diferencia é a capacidade de transformar conversas em dados estruturados, decisões em processos replicáveis e tecnologia em eficiência operacional.
Concentração na demanda de eventos
Segundo o DataEventos, há concentração de demanda entre fevereiro e julho, antes das restrições do período eleitoral. O calendário também estimula o turismo de eventos: feriados como o de Tiradentes (21/04, terça), Corpus Christi (04/06, quinta) e Independência (07/09, segunda) oferecem janelas perfeitas para feiras, congressos e destination weddings com alta adesão e ticket médio elevado.
Acompanhamos de perto essa movimentação. Com base na operação de mais de 15 mil eventos mensais e no processamento de cerca de 200 mil propostas por mês, a MeEventos se tornou um termômetro da digitalização do setor. Presente em 1 a cada 10 eventos realizados no Brasil, a plataforma observa que as empresas mais maduras são justamente aquelas que integram orçamentos, contratos e pagamentos em fluxos contínuos, substituindo a gestão fragmentada por estruturas financeiramente mais saudáveis.
Se 2025 foi o ano da consolidação, 2026 será lembrado como o ano em que o setor deixou o improviso para trás. IA que funciona é a que melhora o caixa, e essa transição já começou.

