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Sete anos depois, a Netflix solta o final que faz lealdade doer até o osso

Sete anos depois, a Netflix solta o final que faz lealdade doer até o osso

Vencer tragédias pessoais é, em muitos casos, mais uma questão de pragmatismo que de vontade. Há que se passar por cima daquele ímpeto tão destrutivo quanto teimoso que barra os passos que se deveria dar no intuito de fazer a vida ter de volta sua aura de nobreza, decisão de fato complexa, mas transformadora. Se viver já parece uma aventura sem que tenhamos de fazer nada, esse aspecto meio fictício, até farsesco da vida recrudesce nas quadras em que se é confrontado acerca do que pode ser certo ou não, momento em que ordem vira caos. Depois de sete anos, “Street Flow 3” fecha a saga de Demba, Noumouké e Soulaymaan, os irmãos Traoré, compondo um retrato agridoce do cotidiano nos subúrbios de Paris. Kery James e Leïla Sy iluminam aspectos da periferia pelos quais nem todo mundo se interessa, discorrendo sobre identidade e justiça social sem concessões ao simplismo.

Evolução

Relações em que os vínculos se dão de forma compulsória, sem que os diferentes lados tenham qualquer chance de escolha quanto a bloquear ou interditar de vez a passagem por onde trafegam rancores, mágoas, cobranças de sentimentos que há muito atrofiaram e morreram na poeira ácida do tempo são, em muitas circunstâncias, as as mais longevas — e as mais reveladoras. James e Sy batem nessa tecla ao esmiuçar os laços entre os Traoré, ressaltando seus sucessos e derrotas, dois cenários em que foram obrigados a agir sem convicção plena. Noumouké só pôde consolidar sua carreira de músico quando começou a evitar certas amizades, ao passo que Soulaymaan, agora um advogado de prestígio junto aos mais pobres, lida com interferências políticas conforme a eleição municipal vai chegando. Demba é o mais romântico do trio, e o roteiro de James sublinha essa diferença, cravando um óbvio ponto de inflexão na trama. Esse é o pulo do gato no filme, a ideia que amarra os três longas e prova a evolução da narrativa, capaz de abarcar as muitas faces dos irmãos. Na pele de Demba, o próprio diretor-roteirista confere ao enredo um tom contemplativo ou, ao contrário, o acelera, marcando o ritmo para Bakary Diombera e Jammeh Diangana. Nenhuma ponta resta solta, ainda que os personagens não resolvam todas as suas questões, tentativa exitosa de tirar dos protagonistas a carga do herói e exaltá-los como homens possíveis. Reais.

Filme:
Street Flow 3

Diretor:

Kery James e Leïla Sy

Ano:
2026

Gênero:
Ação/Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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