Desde março, o acesso ao Parque Nacional da Serra da Capivara (Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco) tornou-se consideravelmente mais difícil, após a Azul suspender seus voos para São Raimundo Nonato (PI). Desde então, os turistas interessados em visitar a região enfrentam longas rotas terrestres, tornando a experiência logística ainda mais desafiadora.
EDIÇÃO DO DIÁRIO com informações da Folhapress
O trecho de voos que ligava Recife e Petrolina ao aeroporto de Serra da Capivara, com frequência de três voos por semana — às terças, quintas e domingos — foi descontinuado. Até então, nenhuma outra companhia aérea operava naquele aeroporto, que passou a receber apenas voos privados. A Azul justificou a decisão como parte de ajustes em sua malha operacional, apontando fatores como o aumento dos custos operacionais, a crise global de suprimentos, a alta do dólar, além de limitações de frota e seu atual processo de reestruturação.
Serra da Capivara: impactos regionais do corte dos voos
Com o fim dos voos regulares, os visitantes precisam viajar por terra desde Teresina (mais de 500 km) ou Petrolina (quase 300 km). O parque é vital para a economia local, movimentando pelo menos quatro municípios — São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias (região com pouco mais de 50 mil habitantes) — e o impacto negocial se faz sentir. O chefe do parque, Marrian Rodrigues, afirmou que, apesar do curto período de voos, já se observava maior interesse de visitantes nacionais e estrangeiros, e que a suspensão prejudicou tanto o turismo quanto as atividades da equipe. Rosa Trakallo, da Fumdham, destacou que o aeroporto atendia ainda pesquisadores e viajantes locais. Em 2025 até julho, o parque registrou uma média de 4.096 visitantes por mês, incluindo turistas de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, além de visitantes da Alemanha, Espanha, Suíça e Reino Unido.
O secretário de Turismo do Piauí, Daniel Oliveira, afirmou que o governo está em tratativas com a Gol e busca alternativas regionais para retomar os voos, destacando que o desafio é mais logístico e tributário do que estrutural, já que o aeroporto opera normalmente. A Gol, por sua vez, preferiu não se manifestar. Para a arqueóloga Gisele Felice (Univasf), a logística é fundamental para a preservação do parque. Já a gerente do Hotel Serra da Capivara, Diana Gaze Fabris Guerra, afirmou que a suspensão trouxe um “impacto extremamente negativo”, justo quando investimentos estaduais e o engajamento comunitário davam um cenário positivo à região. A perda da principal forma de transporte para hóspedes significou um retrocesso, limitando o potencial de crescimento local mesmo diante de um cenário favorável.
Criado em 1979, o parque reúne um vasto conjunto arqueológico, com área quase equivalente à da cidade de São Paulo. Incluído como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1991, sua história está profundamente ligada à archaeóloga Niède Guidon, que catalogou milhares de sítios arqueológicos, idealizou projetos de integração e sustentabilidade, e batalhou por financiamento para manter o parque ativo. Em 2015, com a abertura do aeroporto em São Raimundo Nonato, Guidon já defendia a necessidade de voos regulares para consolidar o caráter internacional do parque. Niède Guidon faleceu em junho de 2025, aos 92 anos.
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