Nordeste Magazine
Cultura

Sequência do filme não anglófono mais visto da história da Netflix, hit de mais de 100 milhões de visualizações, estreou hoje

Sequência do filme não anglófono mais visto da história da Netflix, hit de mais de 100 milhões de visualizações, estreou hoje

Quiçá o homem não possa mesmo ser feliz, por falta de empenho ou de vocação. A despeito das inconsistências morais do gênero humano, a natureza, de que também nós somos parte, quer apenas emitir seus rugidos, tão alto que possam despertar-nos do torpor em que comodamente nos refugiamos quando florestas velhas como o mundo ardem em fornos clandestinos ou vão para o assoalho das mansões de ricaços ignorantes. Novas espécies passam a integrar a já vasta lista dos animais em extinção, e o solo racha de sede porque o calor impiedoso não permite a formação de nuvens de chuva e a posterior precipitação da salvadora água; a própria água morre, vítima de um progresso imediatista, cínico e excludente. Em “O Troll da Montanha 2”, Roar Uthaug diz verdades incômodas lançando mão do folclore pouco conhecido para além de sua Noruega natal. Num primeiro momento, seu filme até pode privilegiar a diversão gratuita de um público já habituado a esse tipo de narrativa, mas a mão segura do diretor galvaniza em alguma proporção o potencial filosófico que o enredo possa ter.

No longa anterior, a paleobióloga Nora Tidemann fizera a descoberta cuja importância lhe tem tirado o sono há alguns anos: o fóssil de um dinossauro sobre o qual cientistas do mundo inteiro vêm travando acaloradas e infrutíferas discussões. Uma área da montanha em que as equipes trabalham fora implodida, e a partir desse ponto, um ser antropomórfico e horripilante, o colosso de pedras e líquen citado no título, passava a dominar a trama. Agora,

Uthaug e o corroteirista Espen Aukan mostram o jötunn, a soberana criatura gigantesca das selvas escandinavas, paralisado, em poder de um grupo de pesquisadores e das Forças Armadas. Nora parece mais aflita do que antes, e mesmo sabendo o que poderia acontecer caso o troll conseguisse tornar à vida, sobe até o topo da plataforma construída para observar o monstro em seus detalhes mais misteriosos e o toca. Isso é o bastante para ele despertar e pôr em risco toda a humanidade.

Antes um elemento de destaque, a mitologia perde espaço para a figura de Nora, a heroína tomada de arrependimentos e vulnerável às lembranças do que contava-lhe o pai, também cientista, sobre a existência de indivíduos pré-históricos ocupando os desvãos do globo. De uma ou de outra maneira, a protagonista faz-se presente em todos os arcos da trama, porém nem sempre é necessária, o que leva a uma monotonia e um empobrecimento do filme. Ine Marie Wilmann apresenta um desempenho irregular, ora cativante, ora involuntariamente farsesco, mas consegue transitar bem entre os diversos núcleos, sobretudo quando esboça-se o possível interesse romântico de Nora e o Major Kristoffer Holm, de Mads Sjøgård Pettersen. Mais cheia de requintes se comparada ao longa de 2022, a computação gráfica assegura os movimentos impecáveis do kaiju nórdico, ponto que acaba por sobressair nessas produções. Para o bem e para o mal.

Filme:
O Troll da Montanha 2

Diretor:

Roar Uthaug

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Aventura

Avaliação:

7/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

O filme quase perfeito de Spike Lee: levou um Oscar e vai ganhar seu coração, na Netflix

Redação

O filme mais angustiante da HBO Max faz da escuridão um mergulho brutal na mente humana

Redação

Este filme sombrio do Prime Video mistura beleza, fanatismo e horror de um jeito que pode te perturbar

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.