Dirigido por Marco Petry, “Comer, Rezar, Ladrar” reúne Alexandra Maria Lara, Anna Herrmann, Kerim Waller e Rúrik Gíslason em torno de um retiro de adestramento nas montanhas do Tirol que logo tira o foco dos cães e o devolve a seus donos. Cinco tutores chegam ao curso de Nodon esperando voltar para casa com animais mais obedientes, mas o adestrador percebe cedo que o impasse está menos no comportamento dos bichos do que na vida embaralhada de quem os conduz. A graça começa aí. Em vez de seguir um protagonista isolado, o longa se espalha entre uma política em crise de imagem, uma jovem que não consegue controlar o próprio cachorro, um casal em atrito e um homem inseguro diante de sua pastora-belga.
O cenário pesa desde a chegada. Nodon trabalha longe da cidade, em meio ao espaço alpino, e o retiro no Tirol impõe convivência diária a gente que talvez nunca dividisse a mesma mesa fora dali. A entrada do grupo no centro de treinamento, com cães, malas e expectativas muito diferentes, instala um recorte de isolamento que organiza as cenas e os choques entre perfis. Quando as atividades começam, o curso vai deixando de lado a lógica da aula prática individual e assume cada vez mais a forma de terapia em grupo, em linha com a constatação de Nodon de que os animais apenas expõem problemas anteriores de seus donos.
Entre todos, Ursula concentra o caso mais abertamente calculado. Ela é uma política que não gosta de cães, mas adota uma cadela para tentar reparar um desgaste público provocado por uma fala infeliz sobre o tema, e entra no retiro carregando essa fachada para um ambiente que cobra convivência real. Há um atrito direto entre imagem e comportamento, e o filme acerta ao colocá-la ao lado de gente menos preocupada em parecer alguma coisa do que em atravessar o dia sem perder o controle do cão, do casamento ou da própria paciência. Quando Ursula precisa dividir espaço com os outros tutores, sem gabinete, sem assessor e sem distância, a comédia encontra um eixo mais firme do que o simples desfile de tipos.
Os outros participantes ajudam a manter essa estrutura em movimento porque cada um leva às montanhas um impasse de ordem distinta. Cada um chega com seu peso. Babs aparece ao lado de Torsten sem conseguir conter a agitação do cachorro, Ziggy e Helmut carregam para o retiro as brigas do casal junto de sua Yorkshire mimada, e Hakan surge acompanhado de Roxy, a pastora-belga em torno da qual gira sua própria dificuldade de confiança. A insistência de Nodon em deslocar a atenção dos cães para os tutores, somada à dinâmica coletiva do curso, põe essas relações no centro e faz do retiro menos um manual de obediência animal do que um espaço de constrangimento, exposição e pequenos acertos de conduta.
Parte do interesse está também no contraste entre esse acúmulo de conflitos humanos e a paisagem ampla que cerca o grupo. O ar livre não resolve nada. As montanhas, os campos e o ambiente alpino aparecem como moldura constante para uma comédia de permanência temporária, afastada da cidade e dependente da convivência diária entre desconhecidos. O curioso é que a abertura geográfica convive com uma sensação de aperto, porque o curso prende os personagens uns aos outros, seja nas sessões conduzidas por Nodon, seja nos contatos laterais entre uma política acuada, uma dona atrapalhada, um casal briguento e um homem que não confia inteiramente no próprio animal.
Marco Petry conduz esse material sem esconder a vocação leve do projeto, apoiado na estrutura de grupo, na circulação entre donos e cães e no peso do cenário tirolês como parte do convite. Nodon é o pivô disso. “Comer, Rezar, Ladrar” ganha corpo quando insiste que os cães não são a origem do problema e quando usa a rotina do retiro para cruzar imagem pública, insegurança pessoal, desgaste amoroso e dificuldade de vínculo. Sem sair da comédia, o longa encontra sua linha mais firme ao mostrar que, naquele curso de montanha, os animais entram em cena como espelho de gente que chegou ali acreditando precisar apenas de adestramento e acaba cercada pelos próprios limites, entre coleiras, exercícios e o frio aberto do Tirol.
A JetBlue anunciou o aumento nas tarifas de bagagem despachada em meio à escalada nos…
O papa Leão XIV conduziu uma missa à luz de velas com milhares de católicos…
Unindo serra e mar, Paraty é uma cidade histórica do Rio de Janeiro que abriga…
Dirigido por Kelly Fremon Craig, “Crescendo Juntas” reúne Abby Ryder Fortson, Rachel McAdams, Kathy Bates…
O setor de eventos de cultura e entretenimento começou 2026 mantendo o ritmo de crescimento…
A Petrobras reafirmou sua política de preços de combustíveis em comunicado enviado à CVM, órgão…