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Se você gosta de finais que te obrigam a reinterpretar cenas, a HBO Max tem um suspense psicológico cirúrgico

Em “Os Malditos”, o inverno fustigante é só uma metáfora para uma subsistência penosa. A paisagem em diferentes tons de branco, destacado na fotografia de Eli Arenson e muito característico nessas histórias, termina por ter seu próprio papel, ambivalente, suavizando, mas principalmente, incluindo o olhar do espectador num cenário de inconstância. Confortável com seu filme, o islandês Thordur Palsson rompe uma marcha cansativa — que logo revela-se também assustadora —, junto com personagens amargurados, num sofrimento muito invulgar. O diretor desdobra uma agonia misturada com ressentimento, que vai ficando insuportável numa conjuntura de necessidade, de miséria, de fome. De terror.

Noites longas

Eva administra uma estação de pesca que herda do marido, morto há algum tempo. Atravessando um campo de gelo, ela rememora os tempos de fartura, reconquistada e agora perdida definitivamente após um fenômeno que ninguém entendeu direito. A comunidade passa por um tempo de privações que vai alongando-se, e para Eva o martírio tem tintas ainda mais dramáticas. Seus vizinhos acham que uma mulher não deve ocupar-se de trabalhos como esse, e já que o negócio não tem sido dos mais vantajosos, ela talvez até devesse procurar um novo companheiro ou mudar-se para uma cidade mais povoada. Palsson e o corroteirista Jamie Hannigan vão insinuando explicações para a penúria da vila naquele distante século 19, ao passo que iluminam os meandros de Eva, uma figura solar que luta para fugir da insânia coletiva, em especial após um evento tétrico.

Fantasmas no litoral

A uma curta distância da praia, os moradores avistam uma frota aparentemente sem rumo, e se desesperam frente à hipótese de terem receber os náufragos, uma vez que a comida não dá nem para si mesmos. O diretor vale-se dessa imagem onírica e incômoda para estimular que a audiência formule suas ideias a respeito dos fantasmas que oferecem ameaça aos pescadores, mencionando ainda um ritual capaz de quebrar a maldição. Mais uma vez irretocável, Odessa Young alcança a intensidade de Eva sem cuidar do entrosamento com os demais atores, principalmente Joe Cole, melancólico e doentio. “Os Malditos” é uma história de assombrações como poucas. 

Em “Os Malditos”, o inverno fustigante é só uma metáfora para uma subsistência penosa. Confortável com seu filme, o islandês Thordur Palsson rompe uma marcha cansativa — que logo revela-se também assustadora —, junto com personagens amargurados, num sofrimento muito invulgar. O diretor desdobra uma agonia misturada com ressentimento, que vai ficando insuportável numa conjuntura de necessidade, de miséria, de fome. De terror.



Fonte

Redação

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