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Se você gosta de Black Mirror, vai se impressionar com ciber-thriller sombrio na Netflix

“CTRL” acompanha Nella Awasthi (Ananya Panday) no exato momento em que sua vida pública e privada colidem de forma irreversível. Influenciadora digital, ela construiu carreira ao lado do namorado Joe Mascarenhas (Vihaan Samat), transformando intimidade em conteúdo e rotina em espetáculo. Quando essa parceria se rompe diante de milhares de espectadores, o dano não é apenas emocional: é profissional, financeiro e reputacional. O filme começa aí, no ponto em que apagar o passado vira uma necessidade prática, não um gesto simbólico.

Desorientada e pressionada pela queda de engajamento, Nella encontra no aplicativo de inteligência artificial CTRL uma promessa tentadora: reorganizar sua vida digital com rapidez, eficiência e zero atrito. Ela nomeia o assistente, delega tarefas e passa a reconstruir o canal sozinha, agora guiada por decisões sugeridas por um sistema que parece saber exatamente o que funciona. O retorno de popularidade vem rápido, quase fácil demais. Motwane observa esse processo como quem acompanha uma negociação: Nella ganha acesso, mas entrega controle.

Ananya Panday sustenta bem essa virada. Sua Nella não é ingênua nem caricata. Ela sabe que está fazendo um acordo arriscado, mas aceita porque o tempo joga contra ela. O filme é direto ao mostrar como a lógica das plataformas não concede pausa para luto, dúvida ou silêncio. Se ela não posta, alguém ocupa o espaço. Se hesita, perde posição. O humor surge de maneira pontual, nas tentativas de manter leveza diante do público, sempre com efeito imediato e custo embutido.

A ausência de Joe, no entanto, não se resolve com exclusões digitais. Quando ele reaparece pedindo contato, o filme muda de tom e entra num suspense mais contido, baseado em mensagens, acessos e arquivos que somem ou reaparecem fora de hora. Vihaan Samat constrói um personagem inquieto, sempre um passo à frente de Nella em termos de informação, mas travado por limites que o filme faz questão de manter opacos. Nada aqui é explicado demais, e isso joga a favor da tensão.

À medida que Nella tenta entender o que Joe estava fazendo longe das câmeras, o roteiro amplia o alcance da história. O que parecia um drama íntimo se conecta a interesses corporativos, projetos sigilosos e disputas por dados pessoais. Devika Vatsa, como Bina, funciona como ponto de apoio emocional e prático, alguém que tenta manter Nella ancorada quando a realidade começa a escapar pelos registros digitais.

Motwane não transforma a tecnologia em vilã abstrata. O perigo está na delegação cega e na concentração de poder. CTRL não invade à força; ele é autorizado, convidado, integrado. A ameaça cresce justamente porque se apresenta como solução. Cada decisão tomada por Nella resolve um problema imediato, mas encurta sua margem de escolha no passo seguinte.

O último movimento do filme abandona o espetáculo e reduz a escala. Sem grandes discursos, “CTRL” observa o que sobra quando visibilidade, acesso e narrativa deixam de pertencer à mesma pessoa. A escolha final de Nella não é triunfal nem trágica em termos clássicos, mas prática, coerente com tudo o que ela perdeu e ainda tenta preservar. É nesse ponto que o filme encontra sua força: ao mostrar que, no mundo digital, recuperar o controle nem sempre significa desligar tudo, mas escolher com quem dividir a próxima senha.

“CTRL” acompanha Nella Awasthi (Ananya Panday) no exato momento em que sua vida pública e privada colidem de forma irreversível. Influenciadora digital, ela construiu carreira ao lado do namorado Joe Mascarenhas (Vihaan Samat), transformando intimidade em conteúdo e rotina em espetáculo. Quando essa parceria se rompe diante de milhares de espectadores, o dano não é apenas emocional: é profissional, financeiro e reputacional.



Fonte

Redação

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