No centro de “Projeto Almanaque”, David Raskin (Jonny Weston) é um estudante genial que sonha entrar no MIT, mas precisa de mais do que talento para garantir essa vaga, e sob a direção de Dean Israelite, ao lado de Jessie Pierce (Sofia Black-D’Elia), Quinn Goldberg (Sam Lerner) e Christina Raskin (Virginia Gardner), ele decide construir uma máquina do tempo a partir de um projeto deixado pelo pai, acreditando que pode corrigir erros e melhorar o próprio futuro, sem prever o impacto crescente dessas mudanças.
Tudo começa de forma quase banal. David encontra antigos vídeos e esquemas técnicos enquanto revisa materiais do pai falecido. Entre fitas e anotações, surge um projeto incompleto que parece viável demais para ser ignorado. Ele chama Quinn e Adam para validar a ideia, e juntos transformam o porão em laboratório improvisado.
A decisão de testar o dispositivo não vem de impulso puro. David precisa de resultados concretos, principalmente para impressionar o MIT. Quinn entra como braço prático, ajudando na montagem, enquanto Adam observa e registra. O primeiro sucesso, ainda tímido, não só valida o experimento como também abre uma possibilidade perigosa: repetir o passado com controle. Isso muda a posição do grupo, que passa de curioso para operador de algo funcional.
Assim que percebem que o aparelho funciona, os testes deixam de ser cautelosos. David estabelece objetivos claros: corrigir pequenas falhas do cotidiano, melhorar desempenho escolar, evitar constrangimentos sociais. Jessie, inicialmente observadora, entra no grupo quando percebe que os resultados são reais e imediatos.
A lógica vira quase administrativa. Eles definem horários, planejam retornos curtos e evitam interferências maiores. Cada viagem tem um propósito específico, o que mantém a operação sob controle, pelo menos no início. O ganho é evidente: mais controle sobre decisões e consequências. Mas o custo começa a aparecer na forma de dependência. Resolver um erro passa a exigir outro ajuste, e o tempo deixa de ser linha para virar ferramenta.
O que complica não é apenas o experimento, mas o que ele toca fora do laboratório. David se aproxima de Jessie, mas essa relação já nasce atravessada por versões diferentes de eventos que só ele lembra. Ele tenta ajustar encontros, melhorar momentos e corrigir falhas emocionais, como se sentimentos também fossem editáveis.
Jessie percebe inconsistências. Pequenos detalhes não batem, reações mudam, e isso gera desconfiança. David tenta contornar, mas cada ajuste que faz para “melhorar” a relação acaba criando novas distorções. Ele não admite diretamente, mas passa a usar a máquina não só para resolver problemas práticos, ou melhor, para moldar situações onde ele tenha vantagem emocional, o que aumenta o risco de perder o controle.
Christina observa tudo com mais distância. Ela não participa das decisões técnicas, mas entende rápido o tamanho do problema. Ao impor limites, ela tenta proteger o grupo de um uso descontrolado, restringindo horários e cobrando responsabilidade. Isso reduz a liberdade de ação e cria tensão interna.
O padrão se repete: quanto mais eles usam a máquina, mais imprevisível o resultado se torna. Pequenas alterações começam a gerar consequências maiores do que o esperado. Eventos mudam de forma inesperada, e o que antes parecia um ajuste simples vira um problema novo.
David tenta organizar isso como se fosse uma equação. Ele analisa registros, compara versões e busca um padrão que permita prever resultados. Mas o volume de mudanças cresce rápido demais. O que era controle vira tentativa de contenção. O grupo começa a perceber que não está mais avançando, e sim corrigindo danos.
Quinn ainda aposta na utilidade do projeto, insistindo em novos testes, enquanto Adam demonstra mais cautela. Jessie, por sua vez, começa a recuar, condicionando sua participação a limites mais rígidos. Isso reduz o apoio de David e coloca o projeto em uma posição instável, com menos consenso e mais pressão.
Diante do cenário, David centraliza as decisões. Ele reduz o acesso ao aparelho e assume sozinho a responsabilidade pelos ajustes mais críticos. A intenção é recuperar controle, mas o efeito é o oposto: ele se isola e aumenta o risco de erro sem revisão.
O porão, que antes era espaço de descoberta, vira zona de conflito. Christina questiona a continuidade do experimento, Quinn cobra resultados concretos e Jessie exige garantias que David já não consegue oferecer. O equipamento ainda funciona, mas a confiança no uso dele diminui.
A história não gira apenas em torno da tecnologia em si, mas da forma como esses jovens lidam com a possibilidade de reescrever decisões. Cada tentativa de corrigir algo carrega um custo imediato, seja em relações, seja em controle. E quanto mais David insiste em ajustar o tempo a seu favor, mais ele perde a capacidade de prever o que vem depois, mantendo o grupo em uma posição cada vez mais frágil.
Filme:
Projeto Almanaque
Diretor:
Dean Israelite
Ano:
2015
Gênero:
Drama/Ficção Científica/Mistério/Suspense
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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