“Scooby-Doo” em versão live-action desperta uma suspeita legítima: a de que se trata apenas de mais um exercício de exploração afetiva, interessado em ativar lembranças infantis sem oferecer nada além disso. O que surpreende, no entanto, é que o filme compreende a fragilidade desse ponto de partida e decide enfrentá-la com franqueza. Em vez de tentar atualizar o desenho ou revesti-lo de gravidade artificial, o roteiro assume o caráter descartável do material original e trabalha a partir dele, não contra ele. Essa escolha define todo o tom da narrativa.
A trama acompanha Fred Jones, Daphne Blake, Velma Dinkley e Shaggy Rogers após a dissolução da Mistério S/A. Reunidos novamente em uma ilha turística repleta de eventos estranhos, eles se veem envolvidos em um plano que mistura seitas, criaturas aparentemente sobrenaturais e um vilão interessado em manipular massas. É uma história deliberadamente exagerada, que se permite ir além da lógica dos episódios animados sem fingir complexidade que não possui. A clareza do enredo não está na sofisticação, mas na consciência de seus limites.
O filme aceita que o desenho sempre foi tosco, repetitivo e apoiado em soluções fáceis. Ao invés de corrigir isso, o longa integra essas características à sua identidade. Há uma ironia constante no modo como os personagens se comportam, como se estivessem cientes da própria artificialidade. Essa autoconsciência impede que o projeto se leve a sério demais e cria uma distância saudável entre nostalgia e idolatria.
A decisão de criar Scooby inteiramente em computação gráfica era o maior risco da produção. Ainda assim, a caracterização funciona porque prioriza personalidade e interação. O cachorro não depende de realismo físico, mas de ritmo cômico e entonação. A relação com Shaggy, vivida por Matthew Lillard, sustenta essa ilusão. Lillard reproduz gestos, voz e postura de forma tão precisa que o personagem digital passa a ser aceito como parte orgânica da cena.
Freddie Prinze Jr. constrói um Fred autocentrado e ingênuo, consciente de sua própria imagem. Sarah Michelle Gellar oferece a Daphne uma autonomia que o desenho raramente permitia. Linda Cardellini, como Velma, equilibra inteligência e deslocamento social sem caricatura excessiva. Essa dinâmica reforça a ideia de grupo, elemento central para que a narrativa funcione apesar dos exageros.
O humor aposta frequentemente no grotesco, incluindo piadas corporais e situações infantis. Nem todas funcionam, mas fazem sentido dentro do universo proposto. A presença de Scrappy-Doo, por exemplo, transforma uma rejeição histórica do público em piada interna e comentário irônico sobre escolhas narrativas equivocadas do passado.
“Scooby-Doo” não tenta ser mais do que é. Não promete amadurecimento temático nem reinvenção cultural. Seu mérito está em reconhecer que entretenimento também pode nascer da honestidade com o material de origem. Ao invés de trair o desenho tentando elevá-lo, o filme prefere rir dele, e de si mesmo. Essa lucidez, rara em adaptações desse tipo, explica por que o resultado funciona melhor do que muitos esperavam.
Filme:
Scooby-Doo
Diretor:
Raja Gosnell
Ano:
2002
Gênero:
Aventura/Comédia/Mistério
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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