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Scarlett Johansson no Prime Video: uma comédia romântica pra aliviar a semana (sem sermão)

Scarlett Johansson no Prime Video: uma comédia romântica pra aliviar a semana (sem sermão)

“Como Não Perder Essa Mulher” apresenta Jon como alguém que mora sozinho, se orgulha da própria vida e evita amarras. Ele gosta de sexo, mas escolhe a pornografia como padrão porque ali encontra exatamente o que quer, no horário que quer, sem conversa difícil e sem ajuste de ritmo com outra pessoa. Isso ocupa noite, encurta sono e treina a cabeça para a recompensa instantânea, o que pesa quando ele tenta levar esse jeito de querer para uma relação em que existe resposta, recusa e demora.

A virada inicial é concreta e direta. Numa boate, Jon conhece Barbara, tenta levá-la para casa e esbarra no “não” dela, saindo com o orgulho amassado e sem o desfecho que ele esperava. Em “Como Não Perder Essa Mulher”, a decisão seguinte não nasce de romance idealizado, mas de cálculo, ele aceita namorar e aceitar os caprichos dela para manter a chance de ter algo com aquela “mulher nota 10”. A partir desse ponto, cada passo cobra tempo de presença, exige combinar e cumprir, e drena energia porque ele precisa parecer à altura do papel que ela impõe.

Noite na boate e o “não”

Joseph Gordon-Levitt, que também dirige e assina o roteiro, mantém o protagonista sob observação contínua, sem procurar desculpa fácil para o comportamento dele. O texto insiste em registrar o efeito prático das escolhas, quando Jon troca um hábito que controla por um namoro que exige agenda, resposta e capacidade de ouvir sem tentar encerrar a conversa quando a frase não o favorece. A comédia nasce de colisões pequenas, ele tentando encaixar uma rotina rígida num relacionamento cheio de regras, e a graça aparece quando o esforço vira gesto, não quando vira palestra.

Scarlett Johansson dá a Barbara um ar de vitrine e de cobrança ao mesmo tempo. Ela não entra como prêmio silencioso, ela dita condições, exige postura, puxa Jon para um formato de namoro em que ele precisa estar disponível, aceitar recusa sem perder a pose e repetir a tentativa de agradar. Para ele, o preço não fica no discurso, fica na logística, sair quando preferia ficar em casa, segurar a frustração de não comandar o ritmo, aceitar que desejo não se resolve com atalho. A dinâmica incomoda justamente porque ele aceita regras menos por afeto e mais por objetivo, e isso deixa o romance com uma aspereza que o filme não disfarça.

Cliques, espera e conversa difícil

A escrita volta sempre ao mesmo ponto, Jon escolhe o caminho mais fácil, depois tenta levar esse padrão para uma relação real e descobre que a outra pessoa não cabe em botão de play. A cobrança vem em tarefas simples que não existem na fantasia, ouvir reclamação, lidar com exigência, esperar a hora do outro, segurar a ansiedade, aceitar que uma noite pode terminar sem sexo e, mesmo assim, continuar no dia seguinte. Para um protagonista acostumado ao “eu quero agora”, isso vira prática de paciência que não se aprende em um encontro só, porque a cada tentativa ele esbarra de novo no tempo do outro.

Quando Julianne Moore entra em cena, o filme ganha um tipo de conversa que desloca Jon do piloto automático sem precisar aumentar o volume. A presença dela abre espaço para encontros em que ele precisa escutar sem transformar tudo em meta, e é aí que ele começa a perceber a diferença entre perseguir um encaixe perfeito e sustentar um encontro possível. Moore traz calma e firmeza, e o roteiro usa esse contraste para empurrar o protagonista a permanecer mais alguns segundos onde antes ele fugiria, sem prometer milagre e sem encerrar tudo com uma frase salvadora.

Como comédia romântica com tons de drama, “Como Não Perder Essa Mulher” rende mais quando mantém os pés no cotidiano do que quando flerta com moral. É um filme sobre negociação e sobre o tempo que se gasta para ser visto quando o desejo deixa de mandar sozinho. Ele pode irritar quem procura fantasia leve e pode repetir ideias de propósito, porque está interessado no hábito que volta e volta até virar parede. Quando a sessão termina, fica a lembrança simples de um homem que apertou play rápido demais por tempo demais e agora precisa segurar a mão, contar segundos e esperar a resposta que não vem por clique.

Filme:
Como Não Perder Essa Mulher

Diretor:

Joseph Gordon-Levitt

Ano:
2013

Gênero:
Comédia/Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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