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Sapos-cururus australianos desenvolveram pernas mais longas para viajarem mais longe

Na Austrlia, poucas coisas so mais diablicas do que o sapo-cururu. Cientistas na dcada de 1930 experimentaram com sucesso 102 sapos para controlar besouros nos canaviais de Queensland, o sapo-cururu tinha outros planos e se espalhou por toda parte e se tornou uma praga imparvel. Em apenas cinco anos, mais de 60.000 sapos-cururus (Rhinella marina ) foram libertados na natureza. Agora, existem mais de 200 milhes, espalhados por mais de 1 milho de km em grande parte de Queensland, na parte norte do Territrio do Norte, em Kimberley e em partes de Nova Gales do Sul.

Esses anfbios incrivelmente adaptveis prosperam em florestas tropicais, quintais, desertos e pntanos, e podem suportar temperaturas que variam de 5 a 46.

Eles no so apenas resistentes, tambm se reproduzem numa velocidade incrvel. Quando girinos, desenvolvem-se rapidamente, alimentando-se em enxames e sobrevivendo em guas com baixo teor de oxignio.

Ao atingirem a maturidade, podem pr entre 8.000 e 30.000 ovos por ninhada, duas vezes por ano. Para se ter uma ideia, a maioria das rs nativas australianas costuma pr entre 1.000 e 2.000 ovos por ano.

Desde a fase de girino at a idade adulta, os sapos-cururus so txicos, o que significa que tm muito pouco a temer. No possuem predadores naturais, exceto aqueles que ainda no aprenderam que no devem com-los.

No Brasil, as duas espcies de rhinellas tem vrios predadores como cobras resistentes a toxinas, jacars, aves de rapina e at alguns mamferos, como gambs, que aprenderam a contornar a glndula de veneno do cururu. A jararacuu-do-brejo (Xenodon merremii) uma das principais predadoras, alm do jacar-de-papo-amarelo.

O que torna os sapos-cururus ainda piores que eles esto desenvolvendo caractersticas ainda mais diablicas do que as que possuam quando chegaram Austrlia. Um estudo de 2006 descobriu que os sapos-cururus que lideraram a expanso da espcie pelo extremo norte do pas estavam desenvolvendo pernas mais longas, evidncia de uma evoluo rpida ocorrendo em escalas de tempo humanas, e em apenas 50 geraes de sapos-cururus.

Como se esses invasores verrugosos j no fossem irritantes o suficiente, agora eles esto desenvolvendo pernas mais longas rapidamente, permitindo que a espcie viaje mais longe.

A populao original de cururus era capaz de se deslocar a uma velocidade de 10 km por ano, j os atuais expandem seu territrio a uma taxa de 50 km por ano, graas s suas pernas mais longas e fortes, que lhes conferem maior velocidade e resistncia.

O sapo-cururu txico em todas as fases da vida, desde girino at adulto. No h muito que possam fazer em relao sua disseminao, mas possvel ajudar a proteger a vida selvagem cujo territrio eles invadem.

Ao longo do caminho, os sapos-cururus causaram estragos. Qualquer predador que tente comer um sapo-cururu adulto provavelmente ter uma morte rpida e dolorosa. Em particular, os lagartos-monitores, antes abundantes nos trpicos australianos, foram praticamente dizimados.

Alguns cientistas esto “ensinando” varanos a no comerem os sapos, soltando filhotes em seu ambiente, na esperana de que os lagartos-monitores os comam, fiquem doentes, mas no morram desenvolvendo uma defesa contra a toxina. A ideia que expor animais nativos a filhotes de sapo-cururu, que so menos txicos, podem ensin-los a no comer os adultos, que so mortais.

A Austrlia extremamente propensa a desastres ambientais com animais invasores devido a uma combinao de isolamento geogrfico prolongado, evoluo nica de sua fauna, falta de predadores naturais e clima propcio.

Isso tornou o ecossistema australiano altamente vulnervel a espcies introduzidas, resultando em altos ndices de extino de espcies nativas.

A Austrlia separou-se da Antrtica h milhes de anos. Como resultado, a flora e fauna nativas evoluram de forma isolada, desenvolvendo pouca ou nenhuma defesa contra mamferos placentrios, que so comuns em outros continentes. Animais como coelhos, raposas e gatos selvagens no encontraram predadores naturais equivalentes, permitindo que suas populaes explodissem.

A maioria dos predadores nativos australianos so rpteis ou marsupiais, que consomem menos do que os mamferos invasores de sangue quente. A falta de grandes predadores mamferos eficientes deixou os animais nativos indefesos contra raposas e gatos selvagens.

Muitas espcies foram introduzidas intencionalmente pelos colonizadores europeus para caa ou para controlar pragas anteriores, muitas vezes falhando e tornando-se pragas ainda maiores. O exemplo clssico o cururu, introduzido para comer besouros em canaviais, mas que no comeu os besouros e tornou-se um predador devastador para a fauna local.

Ambiente Favorvel: Grande parte da Austrlia tem clima quente e semirido, ideal para a rpida reproduo de muitas espcies invasoras, como camelos, cavalos selvagens e coelhos.

A Austrlia abriga a maior populao de camelos selvagens (dromedrios) do mundo. Introduzidos no sculo XIX para transporte, esses animais se reproduziram descontroladamente, com estimativas que ultrapassaram um milho de indivduos soltos no deserto australiano, tornando-se uma praga ambiental que causa prejuzos a fazendas e recursos hdricos.

As Espcies Invasoras so a principal causa de perda de biodiversidade e extino na Austrlia, superando ameaas como a destruio de habitat. Gatos selvagens e raposas so responsveis pela morte de milhes de animais nativos todas as noites.

A vasta extenso territorial, com baixa densidade populacional fora das costas, torna o controle de pragas como camelos e porcos selvagens uma tarefa logisticamente desafiadora e dispendiosa.

Estima-se que as espcies invasoras custem Austrlia dezenas de bilhes de dlares anualmente em perdas agrcolas e custos de manejo.

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Fonte

Redação

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