Low cost europeia Ryanair também questionou o investimento da Aena no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro
A companhia aérea irlandesa Ryanair questionou nesta quarta-feira (1), em seu site corporativo, a vitória da Aena Brasil no leilão do aeroporto internacional do Rio de Janeiro (GIG).
Segundo a empresa, o investimento de R$ 2,9 bilhões, o triplo do valor mínimo do certame, ocorre enquanto aeroportos regionais na Espanha enfrentam perda de tráfego e elevados custos operacionais.
De acordo com a Ryanair, a expansão internacional da Aena, que inclui ativos em mercados como Brasil, Reino Unido, México, Colômbia e Jamaica, estaria sendo parcialmente financiada por receitas do sistema aeroportuário espanhol.
“Quanto do aumento de 21% que a Aena pretende aplicar no DORA III será destinado a aeroportos internacionais nos próximos cinco anos?”, questionou a companhia em comunicado, em referência ao modelo regulatório tarifário aeroportuário da Espanha.
A empresa afirmou que os aeroportos regionais espanhóis operam com níveis de subutilização próximos de 70%, cenário que atribui a uma estrutura tarifária considerada pouco competitiva.
Nesse contexto, companhias aéreas estariam realocando capacidade — incluindo voos de curta e média distância — para mercados europeus com custos de acesso mais baixos. “Os aeroportos regionais estão sofrendo com a falta de investimento na forma de uma estrutura tarifária competitiva”, declarou a empresa ao descrever o cenário do segmento.
A Ryanair sustenta que essa dinâmica tem levado a uma transferência gradual de capacidade das regiões espanholas para outros destinos na Europa. O movimento impacta diretamente a conectividade aérea regional, além de variáveis associadas como turismo e comércio.
A companhia também direcionou críticas ao governo espanhol, principal acionista da Aena, por apoiar a estratégia de expansão internacional do operador aeroportuário. “Em vez de resolver a situação dos aeroportos regionais vazios na Espanha, preferem investir mais de 482 milhões de euros (R$ 2,9 bilhões) no aeroporto do Rio de Janeiro”, disse a empresa.
A Ryanair acrescentou que, em sua avaliação, a gestão dos aeroportos regionais deveria ser transferida a operadores com foco no desenvolvimento da conectividade e do tráfego local.
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