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Ron Perlman retorna ao crime em suspense tenso que acaba de chegar ao Prime Video

“O Padeiro” parte de uma premissa direta e eficiente: Pappi (Ron Perlman) é um homem que construiu uma rotina silenciosa como padeiro depois de um passado violento a serviço do governo. Essa estabilidade frágil se rompe quando Peter (Joel David Moore), o filho com quem quase não mantém contato, reaparece trazendo problemas demais e respostas de menos. A situação se complica de vez quando surge Delphi (Emma Ho), a neta que Pappi nunca soube que existia. A partir daí, o filme acompanha a decisão dele de agir, mesmo sabendo que cada passo pode reabrir feridas que nunca cicatrizaram de verdade.

Sob a direção de Jonathan Sobol, a narrativa evita pressa e aposta em gestos pequenos para construir tensão. Pappi não é apresentado como herói carismático, mas como alguém cansado, que prefere o silêncio à explicação e resolve as coisas com ações curtas e objetivas. Ron Perlman sustenta bem esse registro: o peso físico do ator ajuda a comunicar ameaça mesmo quando o personagem está parado, observando. O conflito não nasce de discursos, mas da necessidade prática de proteger uma criança e encontrar um filho que escolheu caminhos errados.

Peter, vivido por Joel David Moore, funciona como motor do caos. Ele aparece pouco, mas sua ausência movimenta toda a história. As escolhas erradas do personagem colocam Pappi em rota de colisão com um submundo que não esquece dívidas. Já Delphi, interpretada por Emma Ho, é o contraponto mais sensível do filme. Sem precisar de falas explicativas, a personagem cria urgência emocional real: não se trata apenas de vingança ou acerto de contas, mas de responsabilidade tardia.

No campo das ameaças, Vic (Elias Koteas) e Merchant (Harvey Keitel) representam dois níveis diferentes de pressão. Vic é presença constante, quase um fiscal da violência, alguém que observa, cobra e avança quando necessário. Merchant, por sua vez, encarna a autoridade distante, aquela figura que raramente precisa se mover para impor poder. As interações com esses personagens deixam claro que Pappi não enfrenta apenas indivíduos, mas uma estrutura criminal organizada, onde cada erro custa caro.

O filme acerta ao tratar o suspense de forma concreta. Não há grandes discursos sobre moral ou redenção. As cenas se organizam em torno de decisões práticas: seguir uma pista ou recuar, proteger Delphi ou correr atrás de respostas, negociar ou impor força. Cada escolha altera o risco imediato, e isso mantém a narrativa em movimento constante. Quando a violência aparece, ela é seca, funcional, sem glamour, reforçando a ideia de que esse passado nunca foi exatamente um orgulho para Pappi.

Há também um humor muito discreto, quase irônico, que surge do contraste entre a profissão atual do protagonista e sua antiga ocupação. A padaria, os pães e a rotina simples funcionam como fachada e, ao mesmo tempo, como lembrança do que ele tenta preservar. Essa justaposição dá personalidade ao filme e impede que ele escorregue para o genérico.

“O Padeiro” não tenta reinventar o gênero, mas entende bem suas regras. O mérito está na condução segura do enredo, no uso econômico dos personagens e na atuação sólida de Ron Perlman, que carrega o filme sem precisar exagerar. É um suspense direto, eficiente e humano, que sabe que, às vezes, o maior perigo não está nos inimigos à frente, mas nas escolhas que a gente é obrigado a revisitar quando o passado bate à porta.

Filme:
O Padeiro

Diretor:

Jonathan Sobol

Ano:
2022

Gênero:
Crime/Drama/Mistério/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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