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Romance impossível com Nicolas Cage e Meg Ryan foi um marco nos anos 90 e agora está no Telecine

“Cidade dos Anjos” nos apresenta Seth (Nicolas Cage), um anjo que observa silenciosamente o fim da vida humana, e Maggie Rice (Meg Ryan), uma cirurgiã que enfrenta a frustração de perder um paciente, sob direção de Brad Silberling, em uma história em que ele precisa decidir se abandona a imortalidade para viver um amor que pode não durar.

Ambientado em Los Angeles, Seth circula por hospitais, quartos e corredores como quem já conhece o caminho de cor. Ele acompanha pacientes nos últimos instantes, sem interferir, sem negociar, apenas cumprindo uma função que parece antiga demais para ser questionada. Não há drama em sua rotina, apenas repetição. Até que algo muda quando ele observa Maggie trabalhando.

Maggie é daquelas médicas que não aceitam o acaso com facilidade. Quando perde um paciente durante uma cirurgia, ela não simplesmente arquiva o caso e segue adiante. Ela revisa mentalmente cada escolha, cada gesto, como se ainda pudesse encontrar uma resposta escondida no que já passou. O problema é que a medicina tem limites, e ela sente isso de forma muito concreta. Seth percebe essa insistência, e, pela primeira vez, se interessa mais por quem ficou do que por quem partiu.

Um encontro improvável

A decisão de Seth de se tornar visível para Maggie não vem com alarde. Ele aparece, puxa conversa, volta a aparecer. Existe até um certo constrangimento nas primeiras interações, como se ele estivesse aprendendo a ser humano em tempo real. Maggie estranha, claro. Ele faz perguntas simples demais, observa detalhes triviais como se fossem descobertas e, principalmente, não responde de forma direta quando questionado.

Ainda assim, ela não o afasta. Talvez porque esteja emocionalmente abalada, talvez porque haja algo genuíno naquele olhar curioso. O fato é que os encontros começam a se repetir, sempre em espaços neutros, como cafés ou áreas externas do hospital. Seth insiste, Maggie mede distância. E, nesse vai e vem, algo começa a se formar, mesmo sem nenhuma definição clara.

Aquilo que falta ao anjo

Seth começa a revelar sua condição aos poucos, quase como quem testa os limites da confiança do outro. Ele explica que não sente o toque, não percebe o gosto dos alimentos, não experimenta o vento no rosto. Ele observa tudo, mas não participa de fato. É como assistir à vida através de um vidro invisível.

Para Maggie, isso soa estranho — e até difícil de acreditar. Mas, ao mesmo tempo, faz com que coisas simples ganhem outro peso. Comer uma fruta, sentir o sol, tocar alguém. Pequenos gestos que passam despercebidos no dia a dia aparecem, de repente, como privilégios. Seth não deseja grandes conquistas humanas; ele quer o básico, o cotidiano, aquilo que nunca teve.

E isso muda completamente o rumo da história. Porque o que começa como curiosidade vira desejo. Não só por Maggie, mas pela experiência de estar vivo de verdade.

Entre a segurança e o risco

A possibilidade de Seth se tornar humano surge como uma escolha concreta. Existe um caminho, uma forma de abandonar a condição de anjo. Mas não é um teste sem consequência. Ao fazer isso, ele perderia a imortalidade, a segurança de sua posição e tudo o que sempre conheceu. Em troca, ganharia uma vida limitada, sujeita a dor, erro e fim.

Maggie não exige nada. Ela não pede que ele mude, não cria condições. Ela segue sua vida, continua trabalhando, mantendo sua rotina e lidando com suas próprias questões. Isso torna a decisão de Seth ainda mais solitária. Ele não está respondendo a uma pressão externa, mas a um desejo interno que cresce a cada encontro.

E talvez seja aí que o filme acerta: não há garantias. Seth não sabe se será correspondido da forma que espera, não sabe se conseguirá lidar com as limitações humanas. Ele só sabe que, do jeito que está, algo falta.

Quando viver vira aposta

Quando Seth finalmente decide agir, não há espetáculo. É uma escolha silenciosa, quase íntima. Ele deixa para trás tudo o que o definia e entra no mundo humano com todas as suas incertezas. E, a partir daí, tudo muda.

O que antes era observação vira experiência. O corpo responde, o tempo pesa, o acaso interfere. Aquilo que ele tanto desejava, sentir, vem acompanhado de tudo o que ele nunca precisou enfrentar. Maggie, por sua vez, passa a lidar com alguém real, vulnerável, sujeito a erros e limites.

“Cidade dos Anjos” constrói, assim, uma história que evita idealizações fáceis. O amor aqui não aparece como solução mágica, mas como escolha que envolve perda e risco. Seth não troca a eternidade por uma promessa de felicidade. Ele troca por uma possibilidade, e precisa lidar com tudo o que vem junto com ela.

Filme:
Cidade dos Anjos

Diretor:

Brad Silberling

Ano:
1998

Gênero:
Drama/Fantasia/Romance

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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