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Romance icônico e nostálgico de volta à Netflix: Amanda Seyfried e Meryl Streep em um dos filmes mais adorados dos anos 2000

Em “Mamma Mia!”, dirigido por Phyllida Lloyd, Amanda Seyfried vive Sophie, uma jovem que está prestes a se casar com Sky (Dominic Cooper) na ensolarada ilha grega de Kalokairi. Às escondidas, ela encontra o antigo diário da mãe, Donna (Meryl Streep), e descobre que três homens podem ser seu pai: Sam Carmichael (Pierce Brosnan), Harry Bright (Colin Firth) e Bill Anderson (Stellan Skarsgård). Sem contar nada a ninguém, Sophie envia convites para os três comparecerem ao casamento, acreditando que, ao vê-los de perto, finalmente descobrirá sua origem.

O plano é simples no papel e desastroso na prática. Quando os três aparecem quase ao mesmo tempo no pequeno cais da ilha, Donna é pega completamente de surpresa. Ela construiu a vida sozinha, administra um hotel com esforço e orgulho, e claramente não tinha intenção de revisitar aquele verão do passado. Ver os três antigos amores circulando pelos mesmos corredores, dividindo o mesmo espaço e cruzando com a filha que eles nem sabiam que existia desestabiliza sua autoridade e a obriga a improvisar explicações o tempo todo.

Sophie, por sua vez, alterna ansiedade e empolgação. Amanda Seyfried imprime à personagem uma doçura insistente, quase teimosa: ela quer uma resposta antes de subir ao altar, custe o que custar. Em vez de confrontar a mãe diretamente, prefere testar cada um dos possíveis pais em conversas reservadas, observando gestos, afinidades e silêncios. Só que a ilha é pequena demais para sustentar segredos grandes. Cada encontro gera olhares atravessados, comentários das amigas de Donna, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), e um clima crescente de confusão afetiva.

Meryl Streep conduz Donna com energia e vulnerabilidade na mesma medida. Ela tenta manter o foco nos preparativos do casamento, organiza detalhes da festa, resolve problemas práticos do hotel, mas a presença dos três homens reabre lembranças que ela havia cuidadosamente arquivado. Pierce Brosnan compõe um Sam mais direto e sentimental; Colin Firth faz de Harry o mais contido; Stellan Skarsgård traz leveza a Bill. Cada um reage de forma diferente à possibilidade de ser pai, e isso altera o equilíbrio entre eles e também a expectativa de Sophie.

A comédia nasce justamente desses desencontros: portas que se abrem no momento errado, revelações quase ditas, apresentações formais que escondem histórias íntimas. Nada é tratado como escândalo explosivo, mas como uma sucessão de constrangimentos que vão se acumulando até que alguém precise tomar uma decisão. Ao mesmo tempo, há um lado romântico evidente, especialmente na maneira como o passado de Donna com Sam ainda reverbera, criando tensão no presente.

Como musical, o filme usa as canções do ABBA para amplificar emoções que os personagens têm dificuldade de verbalizar. Quando Donna canta, ela transforma insegurança em bravura momentânea; quando Sophie canta, ela revela esperança e medo ao mesmo tempo. As músicas não interrompem a história, elas empurram sentimentos para a superfície, acelerando conversas que estavam sendo adiadas.

“Mamma Mia!” é leve, ensolarado e assumidamente exagerado em alguns momentos, mas funciona porque mantém o conflito muito humano no centro: a necessidade de pertencimento, o medo de encarar escolhas antigas e a vontade de começar uma nova etapa sem lacunas. O filme observa como mãe e filha negociam verdade, afeto e independência. O casamento deixa de ser apenas uma cerimônia e vira um ponto de virada para todos ali, inclusive para quem achava que estava apenas visitando uma ilha para celebrar.

Filme:
Mamma Mia!

Diretor:

Phyllida Lloyd

Ano:
2008

Gênero:
Comédia/Drama/Musical/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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