Na praia de Chesil, o céu é nublado. A água que vem com a maré é inconsolavelmente fria e poucos banhistas se arriscam a molhar os pés. Não há areia, apenas cascalhos, que dificultam a travessia. A paisagem fria e cruel não oferece conforto. Esse é o cenário da história de Ian McEwan transformada em filme por Dominic Cooke em 2017. Saoirse Ronan e Billy Howle interpretam o casal Florence e Edward, recém-casados, que se hospedam em um hotel à beira da praia para sua lua-de-mel. Casados há apenas seis horas, eles relembram como se conheceram, como sua relação desafiou as diferenças sociais de suas famílias e como enfrentaram os primeiros dilemas do amor.
Mas é na lua-de-mel que Florence e Edward têm sua primeira discussão. Tudo parece ainda tão novo e juvenil, que nada parece tão sério e definitivo. A vida está apenas começando. Mas assim como Chesil, algumas diferenças vão se mostrando intransponíveis. Os abismos parecem mais profundos a cada cena. O mal-estar vai tomando conta e a tensão dos diálogos vai demonstrando que há algo de errado. Existe amor, mas falta outra coisa. O que será? O amor é suficiente para manter duas pessoas juntas? Nem sempre.
O enredo de Ian McEwan, assim como em “Amor e Reparação”, não guarda otimismo. Os mal-entendidos parecem se sobressair em meio às emoções confusas e aquilo que é dito no calor do momento. “Na Praia de Chesil” é uma história sobre como o amor ainda se prende às expectativas, tabus, idealizações. Afinal, o que é o amor? É compartilhar uma vida inteira com alguém? É desejo? É cuidado? É fidelidade? Não há resposta certa, porque o amor funciona de maneiras diferentes para cada pessoa. E, talvez, o que falte para Florence e Edward seja uma compreensão dos sentimentos um do outro. O não julgamento.
”Na Praia de Chesil” é uma metáfora sobre como a falta de empatia conduz à morte do amor. Assim como a praia fria, dura, deserta, o relacionamento de Edward e Florence parece se perder em meio ao vazio e a vastidão de sentimentos não compreendidos. McEwan critica o moralismo, o machismo e a opressão da sexualidade feminina que transforma o prazer e o desejo em tabus. Os homens são os únicos permitidos a tê-los, mas as mulheres ainda são culpadas quando as relações não funcionam por causa dessa opressão.
Apesar disso, o longa de Cooke é lento, arrastado e falta química entre Ronan e Howle. Poderia ser bem mais do que é, mas carece de alguma profundidade emocional e de beleza estética.
Filme:
Na Praia de Chesil
Diretor:
Dominic Cooke
Ano:
2017
Gênero:
Drama/Romance
Avaliação:
8/10
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Fer Kalaoun
★★★★★★★★★★
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